Setor elétrico

Aneel está por trás da derrocada de 6% da Transmissão Paulista desde ontem na Bolsa

Na última terça-feira, a agência reguladora havia anunciado que iniciaria uma audiência pública para discutir a transferência das DITs das companhias de transmissão para as distribuidoras

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SÃO PAULO – A notícia de que algumas mudanças de metodologia estudadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) poderíam afetar os negócios de companhias de transmissão de energia gerou cautela no mercado na sessão da última quarta-feira (24).  As ações da Transmissão Paulista (TRPL4), tida como companhia mais afetada na questão, fecharam o pregão com queda de 4,67%, valendo R$ 40,01, após chegarem à cotação de R$ 39,66 na mínima do intraday.

Um dia antes, a agência reguladora havia anunciado que iniciaria uma audiência pública para discutir a transferência das Demais Instalações de Transmissão (conhecidas como DITs dentro do setor) das companhias de transmissão para as distribuidoras. Essa categoria é composta por linhas que podem operar em tensões abaixo dos usuais 230 kV. A notícia pode trazer impactos significativos nos resultados da companhia paulista.

“Apesar de a transferência fazer sentido do aspecto técnico, é importante que ocorra nas condições certas”, alertaram os analistas do BTG Pactual em relatório a clientes. As projeções deles são de que a companhia perca R$ 237 milhões das Receitas Anuais Permitidas para concessionárias de transmissão de energia elétrica.

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A diretoria da Aneel aprovou recentemente o valor total de R$ 11,85 bilhões para tais receitas no ciclo 2015-2016, o que corresponde a um aumento de 17,59% em comparação com o período anterior – sendo 6,94 pontos referentes ao reajuste previsto nos contratos e 10,65 pontos à expansão no sistema de transmissão.

Com isso, as expectativas dos analistas Antonio Junqueira, João Pimentel e Julia Ozenda, do BTG, são de que a Transmissão Paulista perca R$ 237 milhões nas receitas anuais permitidas. “Isso soa destrutivo em termos de valor, assumindo que as DITs geram margem Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização/ receita líquida) de 30%. “Se nossos números de lucratividade estão certos, a transferência iria tirar R$ 2,00 por ação TRPL4, o que corresponde a uma desvalorização de 4,77% em comparação com o fechamento do último pregão.

Nesta quinta-feira, a companhia dá sequência ao movimento de perdas, com desvalorização de 1% para os papéis preferenciais e de 2,41% para os ordinários, respectivamente cotados a R$ 39,61 e R$ 40,50 às 11h45 (horário de Brasília). Nesses dois pregões, as ações da elétricas já afundam 6% na Bolsa.