Ambev zera perdas e pode manter “tabu”; BofA acha que ação vale R$ 100

Na visão dos analistas do banco, o preço-alvo dos papéis AMBV4 para os próximos 12 meses é de R$ 100,00 e a recomendação segue com o status de "compra"

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SÃO PAULO – O investimento em ações é tido como arriscado por não se saber quando esses papéis enfrentarão um ano ruim. Não é o que pensa o acionista da Ambev (AMBV4): com a alta de 0,98% desta segunda-feira (16) a ação fechou aos R$ 84,69 – voltando a apresentar ganhos nesta ano. 

Depois de passar boa parte do ano no negativo, as ações estão novamente no caminho para manter o tabu. Desde que a Ambev foi consolidada, com a fusão de Brahma e Antártica, em 1999, as ações só viram um ano de queda, 2008 – quando tudo o mais caiu, por conta da crise do subprime. São treze anos de alta e apenas um de queda. 

Com isso, mesmo com as projeções de volumes mais fracos nas vendas de cerveja da companhia não foram suficientes para que os analistas do Bank of America Merrill Lynch alterassem a recomendação de compra sobre as ações da companhia. O preço-alvo dos papéis AMBV4 também foi mantido em relação a antigos relatórios: R$ 100,00 para os próximos 12 meses.

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De acordo com os analistas Fernando Ferreira, Isabella Simonatto, Robert Ford e Gloria Gonçalves, do BofA, o que segura o otimismo em relação ao desempenho da empresa na Bovespa nos próximos meses é a perspectiva de alta nos preços de seus produtos, movimento que antecedeu a alta nos impostos sobre bebidas, que ocorrerá em outubro.

“Entendemos que a Ambev começou a elevar preços entre 10% e 12% ao final de agosto. Tal elevação vem antes do aumento nos impostos, em 1 de outubro, quando o percentual sobre os preços do varejo mudará de 38% para 39% e exigirá uma elevação nos preços dos produtos de aproximadamente 1% para compensar isso”, afirmou a equipe de análise do banco americano.

O relatório ainda aponta que os volumes mais baixos projetados para as vendas da companhia nos próximos meses devem ser ofuscados também por uma rígida política de controle de gastos. Inovações em termos de embalagem e eventos de grande magnitude que ocorrerão no País nos próximos anos, da mesma forma, contribuem na manutenção das boas projeções para o longo prazo da Ambev.

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No lado dos riscos da empresa no futuro, os analistas destacam os impactos mais pesados das leis de trânsito contra o consumo de bebidas alcoólicas, o aumento de custos de matérias-primas e a iminente deterioração política e econômica de Argentina e Venezuela, países aos quais a companhia têm exposição. No entanto, o cenário doméstico parece compensar os possíveis temores do mercado.

“Apesar do desafiador cenário de curto prazo, nós vemos um momento de aperfeiçoamento nos ganhos da Ambev na medida em que os volumes de consumo de cerveja no Brasil se recuperam após um primeiro semestre fraco”, concluíram os analistas do BofA.