AmBev aposta em poder de mercado e geração de caixa para competir em 2011

"Se houver caixa sobrando, nós deveremos distribuir", afirmou o CFO da companhia; importação de garrafas deve diminuir

Publicidade

SÃO PAULO – Em teleconferência sobre os resultados trimestrais da AmBev (AMBV4), os diretores da companhia ressaltaram a forte geração de caixa da produtora de bebidas, em meio a perspectivas sobre elevação de preços em 2011 e custos com insumos. 

“Melhoramos nossas margens no Brasil como resultado do forte crescimento da geração de receitas. Devemos continuar a ser beneficiados pela expansão do consumo”, afirmou João Castro Neves, CEO (Chief Executive Officer) da AmBev. 

Na comparação com o mesmo trimestre de 2009, o Ebitda (geração operacional de caixa) da companhia cresceu 11% entre julho e setembro, atingindo R$ 2,652 bilhões. “Existe uma redução da necessidade de investimento para geração de caixa”, disse Nelson Jamel, CFO (Chief Financial Officer) da empresa. 

Continua depois da publicidade

“Uma vez que este caixa é gerado, nós veremos todas as possibilidades de crescimento, com a maior demanda no Brasil ou na América Central. Se ainda assim houver caixa sobrando, nós deveremos distribuir”, continuou o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. 

Pressão antecipada
Ainda assim, os gestores da empresa não deixaram de ressaltar a ampliação dos custos com embalagens importadas. “Depende muito do que acontecerá no quarto trimestre, muito importante para nós”, ponderou Nelson Jamel.

Na opinião do CEO João Castro Neves, o último trimestre é o mais importante para a empresa. “Dependendo do quão forte for o crescimento em relação a volumes, nós saberemos os custos em relação a embalagens”, explicou.

Continua depois da publicidade

Entretanto, a expectativa dos gestores da AmBev é que os custos com embalagens sejam reduzidos a partir de 2011. “No ano que vem isso tende a diminuir, por conta do aumento da produção doméstica de garrafas – que atualmente são importadas”, projetou o CEO. “Talvez, haja algum impacto ainda no primeiro trimestre de 2011”, completou.

Gestão financeira
Como uma das líderes do mercado de bebidas não alcoólicas, preços de outros insumos são relevantes, como o açúcar. Mas isto deverá ser minimizado em função da política da empresa. “Nós temos uma política de hedge quanto à importação de commodities, então o impacto deverá continuar próximo do atual”, ponderou o diretor financeiro da AmBev.

Ainda que tenha obtido resultados elogiados por analistas, a empresa destacou alguns problemas com seus negócios na América do Norte e na Venezuela. “Não estamos contentes com o resultado da operação do Canadá”.

Continua depois da publicidade

“Ainda assim, muito do que acontecerá no próximo ano [no Brasil] estará relacionado à ampliação de impostos”, previu João Castro Neves, que no entanto ressaltou o posicionamento mais favorável em relação aos concorrentes para repasse de custos. “2010 foi um ano de eleições, algumas correções devem ser feitas em 2011”, projetou.

Janela para o futuro
Uma das apostas da empresa para melhorar as margens está no mercado de cervejas consideradas “premium”. “Há um desafio maior no mercado brasileiro em relação ao argentino, onde a nossa posição está mais sólida e é possível trabalhar as marcas premium”, explicou Castro Neves.

A expectativa da companhia, contudo, é trabalhar melhor estas marcas em 2011. “Gostaríamos de ter dado mais atenção em 2010, mas em 2011, poderemos ter um objetivo mais claro de crescimento” destacou. “Como líderes de mercado, precisamos entender que mudanças em nossos preços afetam a demanda do mercado”, concluiu Castro Neves.