Bovespa

Aluguel de ações da B2W despencou dias antes da disparada na Bolsa; coincidência?

Bastante procurada por quem opera na ponta vendedora, total de ações alugadas da varejista caiu 62% entre os dias 6 e 24 de janeiro, para 1,804 milhão - patamar mais baixo desde outubro de 2010

SÃO PAULO – Uma ação conhecida por sua forte concentração de investidores que operam “vendidos” chamou atenção pela fraca demanda de vendedores poucas semanas antes de um fato relevante que provocou a disparada de suas cotações na Bovespa. A procura pelo aluguel dos papéis da B2W (BTOW3) vinha crescendo a taxas altíssimas há um bom tempo, mas do começo de janeiro pra cá esse movimento murchou. O empréstimo em BTOW3 saiu do topo de 4,752 milhões em 6 de janeiro para 1,804 milhão na última sexta-feira (24) – patamar mais baixo desde outubro de 2010 -, o que representa uma queda de 62% no período.

O curioso do movimento é que ele antecedeu um importante anúncio da varejista online. Na noite da última sexta-feira, a B2W comunicou ao mercado que seu conselho de administração aprovou um aumento de capital privado de cerca de R$ 2,4 bilhões, mediante emissão privada de 95,2 milhões de ações. A notícia fez com que o papel subisse impressionantes 41,65% somente na segunda-feira, a R$ 21,95 – maior patamar desde junho de 2011. Na terça-feira, o movimento deu continuidade e a ação 11,62%, para a R$ 24,50 – somando a valorização dos dois pregões, BTOW3 nada menos que 57,8%.

Diante disso, uma questão fica em aberto: a queda do aluguel tem relação com a anúncio? Será que os investidores se anteciparam ao comunicado e fecharam a posição já prevendo uma forte arrancada na ação?

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Para operadores de mercado, é díficil comprovar se houve algum tipo de “uso privilegiado de informação”. Mesmo assim, eles não acreditam muito na tese de que os shorters se anteciparam à notícia e acreditam que o movimento destes investidores foi muito mais em virtude da dinâmica do mercado de aluguel. “A taxa já estava muito alta e os investidores não estavam aceitando mais pagar o preço, por isso muitos decidiram fechar posição”, comentou um operador de mesa de aluguel, que pediu para não ser identificado.

Segundo ele, a maior parte da demanda para zerar posição veio de pessoa física e não houve grande movimentação de investidores institucionais – geralmente os mais bem informados dentro do mercado. Em média, as taxas de aluguel de B2W estavam saindo por 50% ao ano, apontou o operador. “O investidor já não via mais tanta vantagem em operar ‘short'”, afirma.

Já Caio Figueiredo, da mesa de BTC da Alpes Corretora, comentou que encontrava dificuldade em achar o papel da B2W para alugar, citando também taxas muito elevadas. Nesse cenário, é normal ocorrer alguma aversão por parte dos investidores para “tomarem” a ação alugada. Além disso, ele apontou que pode ter ocorrido algum movimento de defesa dos “doadores” (quem disponibiliza a ação para aluguel no mercado), retirando os papéis do mercado, o que forçou os “tomadores” a zerarem suas posições. 

Como funciona o aluguel de ações?
O aluguel de ativos é muito utilizado pelos investidores que operam vendido, ou seja, que apostam na queda do papel. Eles (os “tomadores”) primeiramente alugam ações para posteriormente vendê-las. Depois que o preço recua, recompram a mesma quantidade de papéis por um preço mais barato para devolvê-los, ganhando com a diferença entre o valor da venda e da compra. 

É importante lembrar que apostar na baixa do mercado costuma ser mais arriscado do que investir acreditando na alta, principalmente quando o investidor não tem muita experiência. Para isso, o investidor deve enxergar fortes indícios de que o papel vai cair, caso contrário, corre o risco de amargar prejuízos com a prática. 

Para os “doadores” (quem empresta a ação), o maior risco é não poder operar com aquele papel enquanto ele estiver alugado. Com isso, se quiser se desfazer do papel por conta de alguma notícia ou movimento muito atípico, terá de esperar.