Alta de custos leva HSBC a cortar a recomendação da Vale para neutra

Investidores devem esperar metade dos retornos distribuídos em 2011; ação sinaliza desempenho ruim no curto prazo

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SÃO PAULO – Os investidores da Vale (VALE3, VALE5) devem esperar retornos abaixo da metade do que foi distribuído em 2011, alerta o HSBC. Segundo o banco, com os elevados investimentos que a empresa fará nos próximos dois anos, para expandir a produção, além da moderação da alta dos preços do minério de ferro, seria mais razoável esperar um dividend yield (dividendo pago por ação/cotação do papel) de 4,5%, e não de 10%, como no ano anterior.

Levando em conta o ciclo de investimentos da empresa, e o viés mais imediatista do mercado, o HSBC espera que a ação encontre dificuldades em superar o desempenho dos seus pares globais e o próprio benchmark da bolsa brasileira no curto prazo. Assim, a recomendação do papel foi reduzida de outperform (desempenho acima dos pares de mercado) para neutra.

O preço-alvo para o ADR (American Depositary Receipt) VALE também foi cortado, de US$ 33 para US$ 26. O ajuste reflete a rolagem do target para o próximo ano, justifica o analista Jonathan Brandt, e também engloba os elevados custos de capital e uma queda de 10% na produção do minério de ferro em 2013.

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Top pick
Apesar do corte na recomendação, a mineradora segue como a preferida do HSBC no segmento de metais e mineração. “Nós continuamos a preferir sua vantagem competitiva natural no segmento de minério de ferro, o robusto fluxo de caixa, o forte balanço e um valuation atrativo”, diz Brandt.

Precificando custos
A companhia revelou, em dezembro de 2011, que o capex (investimentos em bens de capital) para 2012 seria de US$ 21,4 bilhões. As estimativas do HSBC eram de US$ 16,7 bilhões para o período. Assim, o HSBC reajustou suas projeções para US$ 20,9 bilhões – o que acarretou no corte de recomendação – embora permaneça cético sobre o cumprimento do guidance dado pela empresa.

Atualmente, a gestão da Vale busca aumentar a capacidade de exploração dos ativos nos próximos anos, e também recuperar os recursos que foram esgotados nos últimos anos. O HSBC, entretanto, não acredita que a companhia terá um aumento significativo da produção do minério de ferro até 2014.

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Outros riscos
Por fim, o analista alerta para a falta de catalisadores no curto prazo. “Nenhum outro grande projeto deve ser iniciado em 2012, e aqueles relacionados à 2013 devem ser concluídos até o final daquele ano, o que não irá ocasionar uma produção significativa até 2014”, projeta Brandt.

Há também as pressões do governo para alterar a legislação e arrecadar mais royalties de commodities. “Atualmente, o royalty do minério de ferro é de 2% da receita líquida, o que esperamos que seja elevado para 4% das receitas brutas do minério de ferro sob a nova legislação”, afirma o analista. A votação deve acontecer ainda neste ano, mas a Vale prometeu desafiar estes impostos, alegando que são inconstitucionais.