Além das multas: tragédia da Samarco coloca em risco o maior projeto da história da Vale

Acidente ocorrido no fim de 2015 pode complicar a obtenção de licenças ambientais e prejudicar 88 projetos de mineradoras pelo Brasil, colocando produções em risco
Divulgação/Vale
Divulgação/Vale

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SÃO PAULO – Já fazem cinco meses do trágico acidente na barragem de fundão, operada pela Samarco, em Mariana, Minas Gerais, mas os efeitos deste evento ainda estão longe de acabarem. Não são apenas as multas envolvendo a mineradora e suas controladoras, a Vale (VALE3; VALE5) e a BHP, mas praticamente todas as empresas que atuam no negócio de mineração são impactadas pela tragédia.

Em relatório recente, a equipe do BTG Pactual, liderada pelo analista Caio Ribeiro, destaca que “o efeito cascata da tragédia continua se espalhando pelo país”. Isso porque, a partir de agora, conseguir as licenças essenciais de barragens de rejeitos devem se tornar algo muito mais complicado de se conseguir. Segundo o analista, há em torno de 88 minas que precisam de novas licenças atualmente.

“Dada a sensibilidade do tema após os acontecimentos recentes, a nossa impressão é que os riscos de atrasos neste processo estão aumentando, colocando em risco a produção futura”, disse Ribeiro, acrescentando que acredita que rupturas de abastecimento no Brasil são um risco crescente para os preços.

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No caso da Vale, o maior risco envolve e mina de Brucutu, sendo que o BTG afirma que seria questão de semanas para a companhia ser obrigada a interromper as operações, se não for concedida uma licença de operação logo. A mina é responsável por cerca de 30 milhões de toneladas de produção da mineradora e acaba sendo envolvida em discussões políticas por ser 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) do estado de Minas Gerais.

“Estimamos que cerca de 100 milhões de toneladas poderiam estar em risco no Sistema sul/sudeste da Vale se os atrasos tornarem-se uma constante”, afirma o analista em relatório.

Impacto no S11D
Por outro lado, o maior projeto da história da Vale, o S11D, em Carajás, por ser uma operação de processamento a seco, faz com que os rejeitos sejam utilizados no processo de produção. Com isso, o analista acredita que a companhia consiga colocar o projeto em operação sem problemas no segundo semestre deste ano.

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Mas, mesmo assim, Ribeiro se diz cauteloso em relação ao que irá acontecer. “Com a longa história de atrasos de licenciamento ambiental no Brasil (o S11D foi adiado por mais de 4 anos) e a recente tragédia na Samarco, nós não ficaríamos surpresos de ver o processo de licenciamento ficar muito mais rigoroso do que antes”, disse.

Por fim, o analista vê um excesso de oferta de 200 milhões de toneladas em 2018, sendo que ela poderia ser substancialmente reduzida com as potenciais rupturas de abastecimento causadas por estes problemas com licenças. “Se isso de fato se materializar, os preços do minério de ferro poderiam permanecer em níveis mais elevados a longo prazo” conclui.

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Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.