Publicidade
SÃO PAULO – Na última quarta-feira (27), a Ágora Corretora revisou para baixo suas recomendações para a MMX Mineração (MMXM3), estabelecendo um novo preço-alvo para a companhia de R$ 16,00 ao final deste ano. O novo target configura um expressivo potencial de valorização de 53% em relação ao último fechamento, o que faz com que a analista Cristiane Viana mantenha sua recomendação de compra ao papel.
“A recomendação para as ações da MMX baseia-se, além do cenário positivo para o segmento de minério de ferro, principalmente na maior atratividade da mineradora após a aquisição do Superporto Sudeste, que garantirá logística portuária, permitirá a expressiva redução de custo e vantagem competitiva em processos de consolidação na região do quadrilátero ferrífero”, explica Cristiane em relatório.
De acordo com a analista, um dos motivos que levaram a corretora a rebaixar o target para a mineradora foi o relatório da consultoria internacional SRK sobre a mina de Bom Sucesso, que influenciou na decisão da Ágora em reduzir em 25% sua estimativa inicial de produção desta mina.
Continua depois da publicidade
A atualização das premissas macroeconômicas também foi apontada pela corretora como um ponto negativo para as estimativas da MMX, especialmente em função a apreciação do real em relação ao dólar norte-americano, que segundo a Ágora é negativo à MMX uma vez que seu faturamento é indexado à moeda estrangeira enquanto que parte relevante do custo da mineradora está em reais.
Superporto Sudeste
Além disso, outro vetor negativo às perspectivas de Cristiane para companhia foi a postergação, em aproximadamente um ano, da entrada em operação do Superporto Sudeste. Em relação a este empreendimento, a corretora estima que ele começará a operar em 2013, com uma capacidade inicial de 14,5 milhões de toneladas por ano, devendo alcançar algo em torno de 50 milhões de toneladas anuais a partir de 2014.
Para tanto, a Ágora acredita que a mineradora deverá investir cerca de US$ 4,2 bilhões entre 2011 e 2014. Se por um lado a corretora vê a necessidade de elevados investimentos por parte da MMX nos próximos anos, por outro a elevada dívida líquida da companhia não parece preocupar tanto assim Cristiane.
Continua depois da publicidade
No final de 2010, a companhia do Grupo EBX, do megaempresário Eike Batista, somava uma dívida líquida de cerca de R$ 1,4 bilhão, configurando uma relação de endividamento líquido sobre patrimônio líquido de 59,2%. “Entretanto, é importante ressaltar que parte significativa do endividamento da mineradora está concentrado no longo prazo (59%)”, afirmou Cristiane.
Minério de Ferro
O volume de venda de minério de ferro pela MMX deverá apresentar uma evolução consistente, segundo a Ágora, principalmente por conta dos investimentos da companhia em aumento de sua capacidade. Segundo as projeções da MMX, é esperado que a capacidade de produção de minério atinja 45,8 milhões de toneladas anuais a partir de 2015.
“Ressaltamos que não visualizamos no curto e médio prazos novas entradas de capacidade de produção suficiente para atender o incremento a ser observado na demanda mundial por minério de ferro. Em consequência, visualizamos a continuidade do movimento altista do preço do minério de ferro, com expectativa de um reajuste em torno de 22% no preço do mesmo em 2011”, disse a analista.
Continua depois da publicidade
Risco
A analista da Ágora lembra, contudo, que o investimento nas ações da MMX representa um risco mais elevado, sendível aos movimentos de consolidação no setor. “Os fatores de risco vão desde aos ligados ao segmento de minério de ferro (crescimento econômico, em especial, chinês) até aos relacionados aos fatores estratégicos e operacionais, tais como: renegociação do arrendamento do direito de explorar a mina de Serra Azul, que vence em 2011, além de atrasos ou insucessos na expansão da capacidade de produção”, concluiu Cristiane.