Agora “principal parceira da Petrobras”, negócio da Shell é uma chancela para o Brasil

Segundo o UBS, o negócio da Shell-BG implica que Petrobras poderia levantar bilhões se decidir vender fatias no pré-sal e controle sobre licenças dos barris

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SÃO PAULO – Em comunicado ao mercado em que anunciou a compra da BG Group por US$ 70 bilhões, a Shell afirmou que se transformará na “principal parceira” da Petrobras (PETR3;PETR4) após a aquisição da companhia britânica de petróleo.

“A combinação dos negócios melhorará a posição da Shell como um detentor de grandes reservas e investidor no Brasil, com potencial de aumentar a produção da Shell de 52 mil barris equivalentes de petróleo por dia em 2014 para estimativa de 550 mil barris por dia para o grupo combinado no fim da década”, destacou. Aliás, a multibilionária compra da BG pela Shell precisa ser aprovada por algumas autoridades, dentre elas, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

E, conforme destaca o UBS, o Brasil responde por 39% do valor patrimonial
da BG, constituído, principalmente, por cerca de 4 bilhões de barris de ativos do pré-sal nos blocos BM-S-9, 11, 50 (Sapinhoá, Lula, Iracema, Iara, Lapa), nos quais a Petrobras é a operadora, segundo relatório. Assim, a aquisição é considerada uma grande chancela para o Brasil, acreditam os analistas. 

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E, “contrariando a expectativa do mercado, acreditamos que o negócio Shell-BG implica que a Petrobras poderia levantar bilhões se decidir vender fatias minoritárias combinadas no pré-sal e ainda mais se decidir vender o controle sobre licenças dos barris do pré-sal”, avaliam os analistas Lillyanna Yang e Carlos Herrera.

Além disso, o Brasil também pode ganhar muito caso haja mudança no regime tributário e com permissão para permitir que players internacionais sejam operadores em áreas consideradas estratégicas.

Enquanto a QGEP (QGEP3) seja um player muito pequeno para incomodar a
Shell, esse negócio evidencia a QGEP como alvo potencial de aquisição. A companhia está sendo negociada a um desconto de 30% em relação ao preço-alvo do banco, de R$ 9,50 por ação. Vale lembrar que, em 2011, A QGEP e a Barra Energia compraram participação de 20% no bloco BM-S-8, da Shell Brasil, onde está o prospecto Bem-te-vi, na Bacia de Santos. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.