Ágora corta preço-alvo e recomendação para Hypermarcas após resultado

Corretora incorpora decepção com desempenho trimestral em modelo e recomenda manter para investidores

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SÃO PAULO – O resultado da Hypermarcas (HYPE3) segue repercutindo negativamente junto a analistas de mercado após revelar números abaixo do esperado.

Nesta terça-feira (8) a Ágora Corretora atualizou seu modelo com os dados divulgados e revisou suas estimativas para a companhia, que seguem pouco animadoras. 

Como consequência, a recomendação para as ações da Hypermarcas foi cortada de “compra” para “manter” e o preço-alvo foi reduzido quase pela metade, de R$ 15,90 para R$ 8,70, mirando dezembro de 2012. Com isso, o potencial teórico de valorização agora passa a ser de 13,28% de acordo com o fechamento do pregão de 7 de novembro.

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Destaques do resultado
Na última segunda-feira a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 190,5 milhões, referente ao terceiro trimestre deste ano. No mesmo período de 2010, o resultado havia sido positivo em R$ 78 milhões. 

Segundo os dados divulgados, um crescimento de despesas operacionais e financeiras pesou no balanço, apesar de a receita líquida ter encerrado 10,4% maior na comparação anual. O faturamento foi de R$ 908 milhões nos três meses observados.

As principais responsáveis pelo aumento das vendas foram as divisões Farma e Beleza e Higiene Pessoal, com 48% e 43,7% da receita, respectivamente. O maior avanço também se deu entre os produtos farmacêuticos da companhia, de 21,5% frente o terceiro trimestre do ano anterior, registrando R$ 435,7 milhões.

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Gastos em alta
Apesar de a Hypermarcas ter apresentado uma queda nas despesas com marketing, de R$ 158 milhões para R$ 154,3 milhões em 12 meses, foram contabilizados maiores gastos com força, comissões e pontos de vendas, além de fretes e gestão de depósitos e centros de distribuição.

No total, esse custo da comercialização saltou 46,2% na mesma comparação, para R$ 174,3 milhões. Destes, R$ 5,5 milhões foram destinados a rescisões trabalhistas, de acordo com a empresa. Além disso, o item “outras despesas” do balanço mostrou crescimento de R$ 19,4 milhões entre julho e setembro de 2010, para R$ 60 milhões neste ano.

Coin vê ano ruim para a companhia
“Este ano realmente não está sendo fácil para a companhia, depois de longos períodos de fortes números e grandes aquisições, o que vemos agora são ajustes e fracos resultados”, avalia Sandra Peres, analista da Coinvalores. 

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A companhia atribui esses resultados negativos à piora do cenário econômico e também à implementação da nova política comercial da empresa, que se faz necessária para estimular a desestocagem de seus clientes, com o intuito promover um giro de vendas mais rápido e com maiores preços. “A grande pergunta é: ate quando este ajuste será necessário? A companhia comenta que o movimento de desestocagem está próximo do fim, acredita-se que no início de 2012 o equilíbrio entre oferta e demanda estará normalizado”, argumenta Sandra.

Dívidas aumentam, guidance diminui
Em meio a esse momento nada favorável, a companhia ainda anunciou uma revisão para baixo no guidance, estimando agora um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 700 milhões para 2011 e de R$ 850 milhões para 2012.

Por fim, a analista da Coin reforça outro problema que tem ganhado corpo nos últimos trimestres, que é o endividamento da empresa. “Em momentos de volatilidade no mercado, [uma empesa endividada] não é boa opção para investimento”, ressalta Sandra.

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Melhores resultados? Só no final de 2012
Embora reforce que a empresa segue com sua estratégia de se desfazer de segmentos não tão rentáveis para dessa forma otimizar suas operações em um segmento mais restrito e também fazer caixa, Sandra não vê um cenário muito favorável para os próximos trimestres. “Acreditamos que a Hypermarcas continuará reportando fracos números, podendo apresentar melhoras no final de 2012”, diz a analista, que manteve a recomendação de manutenção para o papel para investidores de longo prazo.