Ações de CSN e Usiminas despencam 5% após fluxo ruim de notícias

Investidores aproveitam notícias como intensificação da crise da dívida na Espanha e negociações para compra de ativos da CSN para realizar ganhos recentes

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SÃO PAULO – Depois das fortíssimas altas no mês, os investidores da CSN (CSNA3) e da Usiminas (USIM3USIM5) aproveitam um fluxo ruim de notícias no mercado para realizar parte dos ganhos recentes. Assim, às 11h13 (horário de Brasília), o ativo CSNA3 tem forte queda de 5,03%, aos R$ 12,08, enquanto o USIM3 e o USIM5 despencam 4,92% e 4,29%, aos R$ 12,55 e R$ 10,70, respectivamente. No mesmo momento, o Ibovespa cai 0,88%.

Essa trajetória vem depois de um mês muito forte para as siderúrgicas. Impulsionadas pela elevação nas tarifas de importação de diversos produtos siderúrgicos no início do mês, eliminando parte da concorrência, os papéis da CSN ainda acumulam ganhos acima de 21% no mês, enquanto os da Usiminas superam a marca dos 31%.

“É uma realização de lucros levada por um cenário negativo no exterior e acentuado por interesse em ativos da CSA”, explica Karina Freitas, analista da Concórdia.

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Disputa por ativos da CSA
Segundo notícia publicada mais cedo pela Bloomberg, a CSN contratou o Bradesco BBI para assessorar a siderurgia na aquisição da planta de aço da CSA no Rio de Janeiro, que é detida pela ThyssenKrupp.

A aquisição está em foco desde meados de maio, quando a alemã anunciou a intenção de vender seus ativos no Brasil, sendo que em junho o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, disse que aguardava por mais detalhes para avaliar a compra, assim como os concorrentes fariam. A Ternium e a Nippon Steel, controladores da Usiminas, também esperam por detalhes para avaliar a compra dos ativos da CSA no Brasil.

“A preocupação do mercado é o tamanho da agressividade que as empresas podem demonstrar no contexto atual, com a redução na geração de caixa das empresas ao longo do ano e o aumento nos índices de alavancagem ao longo do ano”, complementa a analista.

Fuga de investidores
Karina lembra que, além disso, a crise da dívida na Europa voltou a se intensificar, com os holofotes voltados para a Espanha, cujo governo ainda não se decidiu sobre um resgate. Também não se sabe qual seria tamanho de recursos necessários para ajudar a região.

Como as ações da CSN e da Usiminas têm grande liquidez e uma participação relevante no Ibovespa, eles costumam ser uma porta de saída dos investidores, explica.