Ações da Oi disparam 6% após comunicado “surpresa”; TIM sobe mais de 5%

Lá fora, os papéis da Telecom Italia, dona da TIM, subiam quase 4% às 10h30 (horário de Brasília)

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SÃO PAULO – As ações da Oi (OIBR4) abrem em forte disparada nesta quarta-feira (27) após anunciar que mira comprar a TIM (TIMP3) da Telecom Italia. Às 10h30 (horário de Brasília), os papéis da Oi registravam alta de 5,97%, a R$ 1,42, enquanto os ativos da TIM apresentavam ganhos de 5,77%, a R$ 12,10. Lá fora, as ações da Telecom Italia, controladora da TIM, operavam em valorização de 3,71%, a 0,86 euros, na Bolsa de Milão. 

Ontem à noite, a companhia informou que assinou contrato com o BTG Pactual (BBTG11) para intermediar a proposta de compra da participação indireta pela Telecom Italia na TIM. Segundo informações da Bloomberg, a Oi trabalha na aquisição de uma fatia de U$S 8 bilhões na TIM, já que a Telecom Italia detém cerca de 67% da TIM, que tem valor de mercado próximo de US$ 12 bilhões. O que chama atenção é o o baixo valor de mercado da Oi, que é de aproximadamente US$ 5 bilhões, disse a Guide Investimentos. 

Além disso, há no radar a notícia do jornal Valor que apontou que a espanhola Telefónica e Telecom Italia irão apresentar hoje à noite oferta pelos ativos da GVT, que pertence à Vivendi. De acordo com a Guide, a vitória da Telecom Italia significaria mais uma vez adiar a sua consolidação no setor, além do risco de perder esse ativo ou gastar mais no futuro, enquanto, para a Telefónica, seria a chance de expandir pacotes completos de telefonia para além do estado de São Paulo. “No caso da Telecom Italia ser vencida, a expectativa é que os ativos da TIM Brasil acabem sendo realmente vendidos”, comentaram os analistas da corretora.

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Proposta da Oi pela TIM
Ontem à noite, a Oi comunicou ao mercado que quer fazer proposta para comprar a TIM da Telecom Italia. Segundo a companhia, o BTG Pactual atuará como comissário na operação, para, agindo em seu próprio nome e por conta e ordem da Oi, desenvolver essas alternativas para tornar viável sua proposta de compra, que passa por regras e restrições previstas em lei e nas normas e decisões expedidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

A iniciativa da Oi acontece enquanto a espanhola Telefónica e a Telecom Italia travam uma batalha para adquirir a operadora brasileira de banda larga GVT, propriedade da francesa Vivendi. Paralelamente, a Claro passa por processo de unificação de suas operações com Embratel e Net, todas companhias do grupo mexicano América Móvil.

A Oi, por estar no meio de um conturbado processo de fusão com a Portugal Telecom, não era vista como provável protagonista na recente rodada de consolidação na indústria de telecomunicações no Brasil.

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Entre os grandes grupos de telefonia do país listados em bolsa, a Oi é a que tem saúde financeira mais frágil. A companhia encerrou o segundo trimestre com uma dívida líquida de 46 bilhões de reais, enquanto a da Telefônica Brasil, dona da marca Vivo e controlada pelos espanhóis, era de 2,52 bilhões de reais. A TIM Participações tinha endividamento de 1 bilhão de reais no fim de junho.

No começo de agosto, a Telefónica anunciou proposta de R$ 20,1 bilhões, ou 6,7 bilhões de euros, para comprar a GVT em dinheiro e novas ações da Telefônica Brasil (VIVT4) equivalentes a 12% do capital da empresa combinada após a compra da GVT.

Na segunda-feira, quatro fontes disseram à Reuters que a Telecom Italia fará uma oferta de cerca de 7 bilhões de euros pela GVT, que deixará a Vivendi com uma fatia de 15 a 20% no grupo italiano.

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Todas as movimentações de consolidação ocorrem ao mesmo tempo em que as operadoras de telefonia se preparam para o leilão da frequência de 700 MHz do 4G, marcado para 30 de setembro.

O preço mínimo total das seis licenças no leilão é de R$ 7,7 bilhões. Além disso, as empresas terão que gastar R$ 3,6 bilhões na limpeza da faixa, atualmente usada pela radiodifusão analógica.

Na semana passada, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, reconheceu em entrevista à Reuters que o processo de consolidação no setor tem influência sobre o leilão de 4G, mas disse que o governo não mudará os prazos. “Isso não é problema nosso”, afirmou.

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(Com Reuters)