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SÃO PAULO – Desde o início de setembro, as ações BM&FBovespa (BVMF3) vêm adotando um estilo próprio e se descolando dos papéis da Cetip (CTIP3). Os ativos da administradora da bolsa brasileira ganharam o holofote dos investidores principalmente depois que a operadora norte-americana Bats Global Markets desistiu dos planos de entrar no Brasil, há pouco mais de um mês, o que acabou fortalecendo a posição hegemônica da empresa no País.
De lá para cá, as ações BVMF3 já subiram mais de 25%, enquanto as ações da Cetip – que se denomina a maior registradora, depositária e plataforma eletrônica para ativos de renda fixa e derivativos de balcão na América Latina – lutam por uma colocação melhor, com queda de 5,88%. Segundo o analista da Francisco Kops, da J. Safra Corretora, a saída da Bats do caminho da BM&FBovespa acabou criando um bom momento para os papéis da empresa, que desde o acumulado do ano já somam ganhos de mais de 40%.
Além da freada na concorrência, ele aponta que a divulgação do resultado do terceiro trimestre também pode estar ajudando a puxar as ações da administradora da bolsa para cima – ambas empresas divulgarão seus balanços em novembro. Nos últimos cinco pregões, as ações da Cetip em todos eles, acumulando perdas de 6,99%, enquanto as ações BVMF3 subiram 6,72%, comprovando uma trajetória totalmente oposta.
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Veja mais: Sem fazer “mais do mesmo”, Cetip quer crescer nos gargalos do mercado
Kops estima que o resultado da BM&FBovespa deva trazer números melhores que os da Cetip, especialmente depois da divulgação da prévia operacional, que não agradou muito o mercado no caso da última empresa. A análise não indica um balanço excepcional da BM&FBovespa, mas quando comparado com a Cetip consegue mostrar mais força, reforça o analista da J. Safra.
Apesar do mercado de renda fixa ser bastante promissor, Kops acredita que a Cetip ainda vai patinar bastante no terceiro trimestre. Ele acrescenta, contudo, que os números da renda fixa ficaram bem abaixo do esperado em setembro, mas boa parte pode ser explicada pela sazonalidade, já que esse mês teve menos dias úteis em virtude do feriado, mas ainda assim o acumulado do trimestre não deve agradar.
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Sombra da concorrência pressiona Cetip
Além disso, a Cetip deve sofrer uma estremecida no próximo ano, quando a sua liderança no mercado de renda fixa pode ser abalada pela BM&FBovespa. Embora o anúncio já esteja precificado nas ações, o analista acredita que a BM&FBovespa dará uma sacudida nesse segmento, podendo “roubar” parte do volume, além de impactar no preço, tanto de registro quanto de custódia.
A companhia começa a tomar o rumo na direção do mercado de balcão, no qual as operações são realizadas entre duas partes, sem a presença da chamada contraparte central, que assume o risco dos negócios. A empresa espera agora pelo registro da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para operar com registros de CDBs, que atualmente é feito exclusivamente pela concorrente, Cetip. “O mercado deve ver alguma coisa nesse sentido apenas em 2013”, estima Kops.
No acumulado do ano, as ações da Cetip registram perdas de 9%. Se mantida essa tendência, será o primeiro ano de queda dos ativos CTIP3 na Bovespa, já que eles subiram 21,2%, 69,5% e 15,7% em 2009, 2010 e 2011, respectivamente. Do IPO (Oferta Inicial de Ações), realizado em outubro de 2009, até aqui, as ações da empresa somam valorização na faixa de 115%.
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Confira evoluçao dos papéis da BVMF3 contra CTIP3 nos últimos três meses:
Fonte: InfoMoney