Ação PNB da Eletrobras chega a cair 9% após resultados e concessões

Estatal pode perder R$ 20 bilhões em cinco anos, caso opte pela renovação da concessões

Usina Eólica Volta do Rio - Ceará

  *** Local Caption *** Vista dos aerogeradores durante a visita técnica à usina Eólica Volta do Rio no Ceará.
Usina eólica conectada a SE SOBRAL III, Chesf. A usina pertence ao grupo Energimp S/A, controlado pela IMPSA WIND (Industrias Metalúrgicas Pescarmona S.A.).
Usina Eólica Volta do Rio - Ceará *** Local Caption *** Vista dos aerogeradores durante a visita técnica à usina Eólica Volta do Rio no Ceará. Usina eólica conectada a SE SOBRAL III, Chesf. A usina pertence ao grupo Energimp S/A, controlado pela IMPSA WIND (Industrias Metalúrgicas Pescarmona S.A.).

Publicidade

*Atualizado às 12h26 (horário de Brasília)

SÃO PAULO – Como já era previsto por conta do desempenho de seus ADRs (American Depositary Receipts) na bolsa norte-americana na véspera, as ações da Eletobras (ELET3, ELET6) lideram as perdas do Ibovespa nesta volta do feriado.

A divulgação dos resultados do terceiro trimestre e o desenrolar das discussões envolvendo as concessões tarifárias da companhia levaram a queda de 7,70% das ações preferenciais às 12h26 (horário de Brasília), sendo cotadas a R$ 12,10, enquanto as ordinárias operam com uma significativa distância, ao cair 3,69% aos R$ 9,13. Na mínima do dia, os papéis ELET6 chegaram a atingir perdas de 9,15%, enquanto ELET3 alcançou 5,59% de desvalorização.

Continua depois da publicidade

A estatal tinha ambição de crescer rapidamente, até mesmo fora do País, mas com o pacote de energia recém-anunciado pelo governo, a empresa terá perdas bilionárias e, no lugar dos planos de expansão, prepara medidas para cortar fortemente os custos. A companhia estuda até mesmo a adoção de um plano de demissão incentivada. 

Por conta da redução da tarifa de energia relativa às concessões renovadas antecipadamente, a Eletrobras vai perder R$ 20 bilhões entre 2013 e 2017, segundo cálculo do Instituto Acende Brasil. Esta é a diferença entre o quanto a empresa teria de receita com a continuidade do contrato até 2017 nas condições anteriores e o quanto passará a receber pelo megawatt-hora a partir de 2014, caso opte pela renovação.

A renovação das concessões certamente vai ferir os resultados da companhia, já que reduz significativamente suas tarifas e não reembolsa no valor real os ativos ainda não amortizados, mas os analistas da Ativa Corretora acreditam que a empresa deva aceitar a proposta do governo, uma vez que o acionista controlador é a própria União Federal, que arquitetou a Medida Provisória 579 e não quer de maneira nenhuma realizar qualquer tipo de alteração na medida.

Continua depois da publicidade

Em meio a esse cenário, o representante dos acionistas minoritários no Conselho de Administração da Eletrobras, José Luiz Alqueres, renunciou ao cargo. “O pedido de desligamento do representante dos minoritários sinaliza a forte pressão que o governo tem feito sobre o conselho no sentido de fazê-la aceitar a renovação mesmo com toda a perda da receita”, comentam os analistas. 

Cálculos preliminares da empresa indicam que ela terá um corte anual de receita de cerca de R$ 8 bilhões para ajudar a reduzir a conta de luz. Além disso, a Eletrobras calculava que o governo teria uma indenização de R$ 30 bilhões por investimentos em usinas e linhas de transmissão. O governo, porém, se dispôs a pagar R$ 14 bilhões ou R$ 16 bilhões. 

Resultado do 3° trimestre
Na véspera, a empresa anunciou um lucro R$ 1 bilhão no terceiro trimestre de 2012, uma queda de 35,91% frente ao que havia sido registrado no mesmo trimestre do ano passado. Esse lucro foi obtido sobre uma receita líquida de R$ 8,38 bilhões – 19,41% superior ao que havia sido visto ano passado, resultando em queda na margem líquida.

Continua depois da publicidade

Em vista do quadro atual que a companhia vivencia, a equipe de análise da XP Investimentos aponta que o balanço ficou em segundo plano, face aos importantes desdobramentos acerca da renovação de concessões. “Mesmo após as perdas recentes que o ativo percebeu, continuamos com nossa recomendação não atrativa para suas ações em função basicamente de números não animadores do lado operacional, desorganização e ranço estatal que a mesma apresenta”, comentam.

Outro ponto ressaltado por eles é que desde que a entrada do PT no poder observa-se uma maior intervenção estatal na companhia e investimentos com taxas de retorno muito baixas, em projetos de retorno duvidosos e indesejados pelo setor privado, além do elevado endividamento.