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SÃO PAULO – As ações ordinárias da Petrobras (PETR3) despencaram 8,29% nesta terça-feira (5), refletindo o corte de dividendos em relação aos papéis preferenciais, listados sob PETR4. Assim, os papéis fecharam aos R$ 16,60, seu menor fechamento desde o dia 28 de dezembro de 2005, quando tinham fechado a R$ 16,39.
No intraday, a ação ordinária chegou a bater a região dos R$ 16,44, quando a queda era de 9,17%. Os investidores se mostraram preocupados com a diferença entre os dividendos a serem pagos para as duas classes de ações: R$ 0,47 para PETR3 e R$ 0,96 para PETR4. Esse dividendo menor é uma tentativa da companhia manter caixa e conseguir cumprir o seu plano de investimentos, mesmo com o lucro em queda, já que os ganhos de R$ 21,18 bilhões anunciados na véspera foi o menor desde 2004.
Os papéis preferenciais também chegaram a recuar durante o pregão, apresentando quedas de 4,11%, mas se recuperaram na parte da tarde e fecharam o dia com alta de 0,44%, fechando aos R$ 18,08. Foi a 1ª vez que a ação preferencial terminou uma sessão valendo mais que a ordinária desde 2000. “O investidor buscava essa classe de ativos para ter maior segurança e, por isso, aceitava pagar um prêmio em relação aos papéis preferenciais. Mas em função da ingerência do governo essa relação entre as ações vem reduzindo, já que o investidor não vê mais vantagens sobre a preferencial”, argumenta Eduardo Machado, analista da Amaril Franklin.
Empresa perde R$ 10,71 bilhões de valor de mercado
Esse movimento amenizou a perda de valor de mercado da Petrobras, que nesta sessão foi de R$ 10,71 bilhões, atingindo os R$ 224,83 bilhões. O valor patrimonial da companhia é de R$ 382,17 bilhões, o que mostra a desconfiança do mercado em relação às perspectivas futuras. “O controlador vai ser o governo e isso não vai mudar, então não precisa pagar mais que o patrimônio, já que ela nunca vai passar por uma oferta hostil. Mas a questão dos dividendos tem peso nos investidores nessa sessão”, afirma Henri Evrard, analista da Infinity Asset.
No momento, a empresa continua sendo a 2ª mais valiosa do Brasil, atrás da Ambev (AMBV4), que vale R$ 285,82 bilhões. A diferença sobre a Vale (VALE3; VALE5), a 3ª colocada, que chegou a ser de R$ 50 bilhões no fim de 2012, caiu para apenas R$ 15 bilhões – já que a mineradora agora vale R$ 209,82 bilhões.
De volta para 2005
Se a ação ordinária da empresa volta ao patamar de 2005, é bom lembrar que alguns dos principais números da companhia também recuaram. “O que pesa é a questão dos dividendos, mas não dá para falar que a empresa teve um aumento significativo do lucro nesse período”, afirma o analista.
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No ano de 2005 a empresa havia registrado lucro líquido de R$ 23,75 bilhões – superior ao reportado na véspera. “Tem que olhar a perspectiva, outras expectativas, mas os investidores não estão pagando prêmio nenhum pela empresa no momento, já que ela é negociada abaixo do valor patrimonial”, finaliza Evrard.
