Publicidade
SÃO PAULO – Pelo terceiro ano seguido uma empresa de educação chama atenção do mercado ao registrar a maior alta do Ibovespa. O desempenho da Kroton (KROT3), que já subiu 70,62% em 2014, não chega a ser uma surpresa, mas fora do índice uma outra companhia se destacou, e com novas aquisições nos últimos dias, agora ela superou os ganhos de sua parceira de setor. É a Anima (ANIM3), que fechou esta sexta-feira (19) com alta acumulada de 76,42% no ano.
O catalisador dessa “virada” como a melhor ação do setor de educação na Bolsa ocorreu nesta sessão, com a Anima registrando valorização de 10,16%, a R$ 37,40, após anunciar a assinatura de um contrato em que será a titular de 100% das ações da Whitney do Brasil Holding Ltda, cujas sociedades controladas são mantenedoras da Universidade Veiga de Almeida (UVA), no Rio de Janeiro, e do Centro Universitário Jorge Amado (UniJorge), em Salvador.
A fusão marca a entrada da Anima na região Nordeste, considerado o mercado mais promissor e com maior espaço para crescimento dentro do setor. Para os analistas Mário Bernardes Junior e Gabriela Cortez, do BB Investimentos, outro ponto favorável do negócio é a possibilidade da troca de “know-how” com a Whitney, uma companhia internacional da área de ensino e que tem forte posicionamento na América Latina, com mais de 170 mil alunos. “[O negócio] poderá dar a Anima um salto de qualidade na companhia como um todo”, disseram.
Continua depois da publicidade
A UVA é a 3ª maior instituição de ensino superior do Rio de Janeiro, com cerca de 31 mil alunos matriculados em 5 campi. Além de ser considerada a 2ª melhor universidade privada do estado e a 6º melhor do país, segundo o MEC. Enquanto isso, a UniJorge é a maior instituição privada de Salvador com um número de matrículas em torno de 26 mil alunos, em 3 campi.
No negócio, a Anima pagará uma parcela de R$ 562,5 milhões, para então emitir 10,8 mil ações, pagando posteriormente doze parcelas mensais de R$ 212,5 milhões. Após a incorporação das novas ações, os acionistas da Whitney deterão 11,6% da Anima Educação e terão direito a uma cadeira no Conselho de Administração, que será ocupada por Pete Pizarro, atual CEO da Whitney.
Com a aquisição, a companhia passa a contar com 141 mil alunos em 26 campi e 34 polos de ensino a distância, ficando assim na liderança em quatro dos cinco maiores mercados de ensino superior no Brasil. “A fusão também proporcionará a capacidade da Anima e alavancar seus projetos de expansão do EAD (ensino à distância), além da integração com a Rede Ilumno, mantida pela Whitney”, disseram os analistas do BB.
Continua depois da publicidade
“Avaliamos a operação como positiva e com indicativo de uma mudança de patamar para a Anima, que provavelmente passará a brigar com as gigantes empresas do setor de ensino privado do país, em condições mais favoráveis”, afirmaram em relatório o trio da corretora. Por outro lado, eles ressaltam que os riscos do negócio ficam por conta da aprovação pelos órgãos reguladores e a efetiva sinergia estimada, “assim como eventuais choques de cultura”.