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SÃO PAULO – As ações da Vale (VALE3;VALE5), apesar de alguma recuperação na sessão da última sexta-feira (17), fecharam em forte queda na semana anterior, de cerca de 8%. Já no ano, a queda dos papéis foi de registram perdas de cerca de 23%, enquanto o Ibovespa caiu 9,5% no mesmo período.
Conforme aponta o analista da Planner, Luiz Francisco Caetano, as razões para este desempenho negativo podem ser atribuídas à queda nos preços de minério e à preocupação quanto ao desempenho da economia chinesa. Os preços do minério tiveram queda de 15% neste ano, sendo 8,2% apenas no mês de maio.
Durante teleconferência, a diretoria da Vale já havia alertado que a entrada de novas capacidades de produção na Austrália poderia impactar negativamente o preço do produto, mas que as cotações não deveriam cair além dos US$ 120 por tonelada. No momento, entretanto, a cotação dos papéis está perto deste nível.
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Neste sentindo, Caetano destaca que as ações da Vale têm um desempenho bastante próximo ao do preço do minério de ferro, o que é bem razoável, uma vez que as vendas de minério representam cerca de 68,5% da receita total e 96% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações). A correlação entre o minério spot na China e o ADR (American Depositary Receipts) da Vale foi de 0,79 nos últimos 36 meses, conforme aponta o gráfico abaixo.
Gráfico aponta queda exagerada
O gráfico mostra que as ações possuem maior volatilidade do que o preço do minério de ferro, mas os dois ativos seguem em uma trajetória similar. “Isso que dizer que VALE5 deve continuar com um fraco desempenho enquanto o preço do minério não tiver uma evolução melhor. Porém, nos parece que a ação exagerou no movimento de baixa, o que pode indicar uma alta forte, assim que a cotação da commodity mostrar mais força”, afirma Caetano.
Com isso, o analista segue com recomendação de compra para os papéis VALE5 com preço justo de R$ 45,00, ou potencial de valorização de 50,45% em relação à última cotação de fechamento.
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Caetano ressalta que a China é o grande cliente da Vale, sendo que aquele país absorve 55%, aproximadamente, do minério negociado no mundo. Portanto, a análise da situação da siderurgia na China, dos estoques em seus portos e do volume de importações é fundamental para se verificar a demanda do produto, avalia Caetano. Apesar dos problemas, a produção siderúrgica na China segue acelerada, enquanto o grande consumidor de minério de ferro do mundo continua expandindo sua “fome” pelo produto.
Desta forma, avalia, a queda dos preços de minério de ferro devem preocupar os investidores da Vale, com as cotações diminuindo os preços da ação. Entretanto, “a preocupação não deve ser tão grande”, uma vez que os papéis vêm caindo de forma exagerada e já devem apontar para recuperação.