Ação da Oi tem potencial para disparar 150% com novo plano; mas quem tem coragem para arriscar?

Após aprovação do novo plano de recuperação judicial, as ações da Oi dispararam 22% nesta sessão; apesar da euforia, o mercado teme que os credores não aprovem os novos termos

Paula Barra

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SÃO PAULO – Quem é acionista da Oi (OIBR3; OIBR4) teve motivos de sobra para comemorar neste quinta-feira (23). Depois de longos meses de espera, o conselho de administração da empresa aprovou ontem uma nova versão do seu plano de recuperação judicial. No mercado, a notícia foi recebida com forte euforia: as ações PNs da operadora de telefonia – que possuem maior liquidez na BM&FBovespa – dispararam 22,01%, a R$ 4,38, nesta sessão. Os papéis ONs subiram 15,90%, a R$ 4,81.

Isso porque, enquanto a notícia do novo plano circulava no mercado, analistas começavam a se debruçar em suas planilhas para calcular quanto isso poderia adicionar de valor à empresa. As estimativas dos analistas Daniel Federle, Felipe Cheng e Juan Pablo Albado, do Credit Suisse, apontam para um valor justo implícito nas ações ONs da Oi na faixa entre R$ 8,46 e R$ 10,56, contra a cotação de R$ 4,15 do fechamento da última quarta-feira. Ou seja, um ganho potencial de 103,8% a 154,4%.  

Mas nem tudo são flores…

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Embora o potencial de valorização seja bem expressivo, o mercado teme que os credores não aceitem o novo plano, que prevê a troca imediata da dívida externa por 25% das ações da empresa. As mudanças, que serão entregues à Justiça, terão de passar pela avaliação dos credores, em assembleia ainda sem data determinada.

Os credores se opõem ao fato de a companhia tentar reduzir drasticamente o valor que têm a receber e reclamam do fato de os atuais acionistas se negarem a estudar as propostas alternativas apresentadas para a reestruturação da Oi.

O empresário egípcio Naguib Sawiris, que tem o apoio do banco Moelis (representante de boa parte dos credores), e o fundo Elliott já apresentaram propostas alternativas. O fundo americano Cerberus, que está fazendo “due dilligence” (auditoria) na companhia, também tem proposta, mas não a apresentou oficialmente.

Por conta dessa forte resistência, o Credit Suisse, mesmo vendo um enorme valor na ação caso o plano vá adiante, optou por não mexer no preço-alvo da ação OIBR, que segue em R$ 2,20, o que representa um potencial de desvalorização de 47% frente ao fechamento de ontem. A recomendação é neutra. 

Em relatório, os analistas até comentavam antes da abertura do pregão: “as ações podem reagir positivamente hoje, mas preferimos manter nosso preço-alvo inalterado, em função do risco dos credores não aceitarem a proposta e eventuais multas da Anatel. 

Na mesma linha, o Bradesco BBI comentou: “acreditamos que a nova proposta da empresa
ainda enfrentará grande resistência. Uma intervenção da Anatel parece estar ganhando terreno, assumindo que os detentores de dívida não aceitem o plano, já que os
acionistas querem evitar uma diluição maior”. 

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O que entre na conta dos R$ 7,5 bilhões ou R$ 11,5 bilhões?

Partindo de uma estimativa de valor justo da empresa de R$ 25 bilhões e levando em consideração um “haircut” (corte) da dívida de R$ 48,2 bilhões para R$ 25,1 bilhões (no cenário de que a dívida conversível de R$ 3,9 bilhões seja recomprada), os analistas calculam um valor justo para a Oi no mercado de R$ 7,7 bilhões, o que representaria R$ 8,49 por ação. 

Já no segundo cenário – usando a mesma estimativa de valor justo da empresa R$ 25 bilhões e considerando que R$ 3,9 bilhões em dívida seja totalmente convertida em ações (com uma participação adicional de 13%), isso representaria um “haircut” da dívida de 56% para R$ 21,2 bilhões e um valor justo para Oi de R$ 11,5 bilhões, ou R$ 10,56 por ação, considerando a base de ativos já diluída. 

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O novo plano

O novo plano de recuperação judicial da Oi prevê aos credores redução de prazo de carência de pagamento de juros e de principal, além de emissão de bônus. A proposta atualizada reduz os prazos de carência para pagamento de juros e do principal aos credores das chamadas classe 2, classe 3, incluindo àqueles que aderirem à conversão de créditos em ações da companhia.

O plano prevê agora um corte no prazo de carência de pagamento de juros de 7 para 4 anos no caso de credores classe 2. No caso de credores classe 3 o prazo foi reduzido de 7 para 6 anos e a taxa de juros passa de 8 por cento ao ano para o equivalente a 65 por cento do CDI. Já a carência proposta para pagamento do principal da dívida foi reduzida de 10 para 6 anos para ambas as classes.

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O conselho também propôs emissão de 2,8 bilhões de reais em novo bônus para credores classe 3 com conversão, além de 3,9 bilhões de reais em um bônus conversível.

A companhia agora também propõe que os credores dessa classe recebam ações na partida. O novo bond proposto não poderá ser resgatado antes do vencimento em 2027. Os bonds conversíveis poderão ser convertidos no 36º mês.

No que se refere a dividendos, a empresa propôs que, após a venda de ativos relevantes do grupo, haverá distribuição para credores de 50 por cento do resultado líquido das venda, observando diretrizes de recomposição mínima do caixa.

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A empresa também propôs amortização pro rata de credores financeiros e fornecedores ao saldo da dívida no momento do pré-pagamento, além de quitação das parcelas em ordem cronológica de vencimento.

A Oi, no entanto, limitará o pagamento de dividendos enquanto a proporção de dívida líquida/Ebitda for maior do que 2,5 vezes. A Oi encerrou 2016 com dívida líquida de 40,3 bilhões de reais e Ebitda de 6,7 bilhões de reais.