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SÃO PAULO – Destaque no noticiário da última semana, a Lupatech (LUPA3) voltou a ganhar repercussão nesta segunda-feira (28).Os papéis da companhia fecharam o pregão com forte valorização de 16,49%, cotados a R$ 4,52, repercutindo o comunicado divulgado na noite de sexta-feira (25), afirmando que a forte queda dos seus papéis na semana passada deveu-se exclusivamente à reportagem “especulativa” publicada pela Bloomberg no último dia 22.
Os ativos LUPA3 chegaram a apresentar uma valorização de 17,78% na sessão, cotados a R$ 4,57, quando atingiram a máxima do intraday. O volume movimentado pelos papéis também foi expressivo, com giro total de R$ 23,21 milhões, mais do triplo da média diária dos últimos 21 pregões, de R$ 6,72 milhões.
Na última semana, os ativos LUPA3 começaram a cair forte a partir de terça-feira, data em que a matéria da Blommberg falando sobre um iminente pedido de default da companhia foi publicada. O alto endividamento acumulado pela empresa por conta das aquisições nos últimos anos, somado à menor demanda da Petrobras (PETR3, PETR4), seu principal cliente, colaborou para aumentar as incertezas em relação à situação financeira da Lupatech, provocando uma forte disparada no rendimento dos seus bonds perpétuos. Na terça, os papéis da empresa fecharam com queda de 7,67%.
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O cenário se agravou nos dois pregões seguintes, sobretudo após a companhia propor aos detentores desses bonds perpétuos algumas mudanças nos covenants para concluir a venda da Steelinject. Com isso, as ações da Lupatech despencaram 19,55% e 25,81% na quarta e na quinta-feira, respectivamente. Nesses três dias, a desvalorização acumulada chegou a 44,80%.
Já na sexta-feira (25), os investidores mostraram um maior apetite em adquirir os papéis da companhia, não só pela forte queda já acumulada nos três pregões anteriores como também pela sinalização de que o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social), que possui participação de 11,4% no seu capital, estaria em negociações para socorrer a companhia. Na ocasião, as ações LUPA3 fecharam com forte alta de 12,46%, cotadas a R$ 3,88.
Com os ganhos desta segunda-feira, os ativos da companhia somam alta de 31,01% nesses dois dias. Apesar disso, as cotações dos papéis da empresa ainda encontram-se distante da cotação de vista na quarta-feira, quando fechou valendo R$ 4,65.
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Reportagem unilateral
De acordo com a companhia, a reportagem da agência de notícias norte-americana foi escrita “de forma unilateral, sem manifestação por parte da Companhia e sem qualquer fato que pudesse comprovar as suspeitas”, levando as ações a despencarem. A reportagem lembrava ainda que as agências de classificação de risco Standard & Poor’s e Moody’s alertaram para a possibilidade de a companhia decretar default em até 12 meses.
A Lupatech reassegurou os seus acionistas e detentores de títulos. “A companhia sempre esteve em dia com os pagamentos de juros sobre os bônus perpétuos e não tem qualquer intenção em não concluir o pagamento sobre os juros desses títulos, a vencer em 10 de janeiro de 2012”.
Recomendações sob revisão
Vale mencionar que, em meio aos eventos recentes, as corretoras Ativa e Ágora colocaram a recomendação dos papéis da Lupatech em revisão. No caso da Ativa Corretora, o analista Artur Delorme atribui essa decisão ao patamar “desconfortável” de alavancagem da empresa, com o endividamento líquido da empresa tendo fechado o terceiro trimestre do ano em R$ 1,2 bilhão.
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Já no caso da Ágora Corretora, o analista Luiz Otávio Broad acredita que apenas uma capitalização reduzirá o elevado risco financeiro. “O BNDES informou que está trabalhando para fortalecer a estrutura de capital da companhia, porém nenhuma informação foi dada com relação à data ou montante”, alerta Broad, que também faz menção à fraca evolução no processo de redução do endividamento via vendas de ativos.