Ação da Lupatech dispara 40% na véspera do “Dia D” da empresa na Bolsa

Amanhã é o último dia que os credores têm para exercer o direito de preferência de subscrição; gestores apostam que ação despencará após a entrada maciça de ações no mercado

Lupatech (Foto: Divulgação)
Lupatech (Foto: Divulgação)

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SÃO PAULO – Após “dormirem” por oito pregões, as ações da Lupatech (LUPA3) acordaram com uma disparada de até 40% nesta quinta-feira (28), véspera do “Dia D” da companhia, já que amanhã se encerrará o prazo para que os acionistas exerçam o direito de preferência decorrente do aumento de capital da empresa. Ou seja, esta sexta-feira (29) é a data limite para que os investidores que já tinham LUPA3 antes da aprovação do aumento de capital (em 22 de julho) evitem uma forte diluição acionária.

Os papéis da Lupatech dispararam 26,92%, a R$ 0,33, neste pregão, tendo batido sua máxima de R$ 0,37 (alta de 42,32%). Entre os dias 13 e 27 de agosto, os ativos oscilaram entre R$ 0,29 e R$ 0,27. No dia seguinte do anúncio, em 23 de julho, os papéis da companhia saltaram impressionantes 92%, chegando a R$ 0,50, e acumularam alta de 118% considerando o pregão do seguinte. Depois disso, no entanto, os papéis passaram a cair forte (cerca de 55%) até voltarem ao patamar de R$ 0,26 no dia 18 de agosto – há exatos 8 pregões.

Segundo um gestor que pediu anonimato, a disparada de hoje ocorre “sem motivo” e, apesar do forte volume financeiro movimento  – cerca de R$ 6,7 milhões, contra média de R$ 240 mil -, ele acredita que esse montante é pouco significativo perto do que entrará no mercado: o montante que os credores receberão após o aumento de capital será de no mínimo R$ 676 milhões.

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Pelo comunicado emitido pela Lupatech em julho, a companhia deixa claro que toda a quantia levantada com a operação irá para os credores, ou seja, nenhum real entrará no caixa da empresa. Passados 15 dias de próxima sexta-feira (29/08), é esperado que essas ações já estejam nas mãos dos detentores da dívida, abrindo espaço para uma forte queda dos papéis, disse.

Por conta do que está por trás dessas últimas movimentações do papel, o gestor disse que essa alta não é justificada. Apesar do arrancada da ação, ele acredita que o cenário para a empresa continua o mesmo: o aumento de capital não deve “salvar” a companhia e poderá haver uma forte debandada de investidores após a operação (como o lado da oferta ficará muito mais forte que o da demanda, com uma enorme quantidade de novos papéis na Bovespa, haverá mais pessoas interessadas a vender do que comprar). Os investidores interessados em aderir a oferta terão que desembolsar 3.350,2% do capital aplicado na companhia. Na prática: quem tiver R$ 1 mil em ações da Lupatech terá que gastar cerca de R$ 33,5 mil para ficar com a mesma porcentagem na base acionária.

Além disso, há expectativa de que os detentores da dívida da empresa, que receberão essas ações decorrentes do aumento de capital, terão a chance de realizar algum lucro agora, uma vez que já tinham baixado para zero suas apostas de ter o dinheiro de volta, disse.

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Retrospectiva
Em entrevista ao InfoMoney no final de julho, gestores da Ujay Capital apontaram que a ação da companhia pode chegar a R$ 0,02, cotação essa que dá a empresa o valor de mercado próximo ao que vinha sendo negociado antes da diluição de 97% decorrente do aumento de capital. Em recuperação extrajudicial, a Lupatech lançou aos seus credores um plano de reestruturação do seu endividamento em novembro do ano passado. Dentre as condições apresentadas aos debenturistas para que o plano fosse aceito e posteriormente homologado pela justiça brasileira e norte-americana, estava a possibilidade de uma emissão de ações, que seriam trocadas pelas debêntures destes credores. Tal emissão foi aprovada pelo conselho de administração da Lupatech em julho. Serão emitidas no mínimo 2,7 bilhões de ações LUPA3 e no máximo 5,28 bilhões, ao preço de R$ 0,25 cada – menos da metade do que ela valia no fechamento daquele dia (R$ 0,59). 

À primeira vista, a notícia parecia boa, já que o principal problema da Lupatech estava concentrado em seu enorme endividamento. A aceitação por parte dos credores é um bom sinal para indicar que a solução pode estar a caminho. Contudo, alguns “poréns” merecem ser observados: atualmente a Lupatech possui 157,6 milhões de ações na Bolsa; com a oferta concluída, ela terá entre 740% e 3.250% a mais de papéis. Para que o valor de mercado da empresa permaneça o mesmo após essa enxurrada de ações – atualmente ela vale R$ 89,8 milhões –, o preço da ação precisaria cair para próximo de R$ 0,02, explica Arruda e Bueno. Por isso mesmo, esse preço é tido como o “alvo” deles para a operação “short” com LUPA3.

Com tantos indicativos contrários à empresa, o que explicou a reação positiva do mercado na sequência do aumento de capital? Para os gestores da Ujay, o que explica isso é a própria desinformação dos investidores pessoa física – que é a principal base acionária da Lupatech – desencadeou essa euforia: por não terem entendido se o comunicado da companhia trazia boas ou más notícias, eles preferiram esperar como a ação iria reagir no pregão pós-aprovação. E o que vimos logo no primeiro negócio de quarta-feira foi uma reação explosiva, que se intensificou até o final do dia.

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Ações “secaram” no BTC
Em meio à expectativa de baixa do mercado, as ações “secaram” no BTC [órgão responsável por disponibilizar as ações a serem alugadas] desde o anúncio do aumento de capital. Para apostar na queda de uma ação, o investidor precisa primeiramente alugar o papel depois para vendê-los.  

Segundo informações do site Dados da Bolsa, o aluguel de ações da companhia disparou 71,25% do dia 22 de julho (quando a empresa fez o comunicado ao mercado) até o final do mês passado, saindo de 2.357.574 para 4.037.237 ações. Após atingir esse patamar, o empréstimo praticamente ficou no mesmo patamar, com operadores de mercado informando que não há mais ações para “tomar” alugado. Juntamente com a arrancada do aluguel, a taxa de empréstimo também saltou de 2,5% para mais de 50% ao ano. 

Procurado hoje pelo InfoMoney, um operador de BTC disse que a disparada das ações na Bolsa hoje não é em função de uma movimentação atípica no mercado de aluguel nesta sessão. A situação continua igual, segundo ele, com investidores tentando alugar, mas não tendo disponibilidade no mercado.