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SÃO PAULO – Mesmo com a forte queda das ações após o anúncio de corte de tarifas pelo governo, os papéis da Eletrobras (ELET3;ELET6) não têm atratividade, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. Apesar da ação ter se tornado a mais barata entre as 3 mil maiores empresas do mundo, as principais instituições seguem recomendando a venda das ações da companhia.
A ação da companhia é negociada atualmente a uma relação de 0,11 vez o seu valor patrimonial, o que torna a menor relação entre as 3 mil maiores empresas do mundo em valor de mercado acompanhadas pela Bloomberg.
Ainda de acordo com a agência de notícias, seis de onze instituições aconselham os seus clientes a se desfazerem do papel ou colocaram em revisão as estimativas para a companhia nos últimos seis meses, caso do JPMorgan e do Itaú BBA.
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O corte nas tarifas de energia, que fez parte do plano de medidas costurado pela presidente Dilma Rousseff para impulsionar a economia, fez com que as ações da companhia registrassem uma baixa de 22% nos últimos seis meses, registrando queda 10 vezes superior a observada pelo Ibovespa.
Vale ressaltar que em novembro, com a divulgação dos resultados do terceiro trimestre e as discussões envolvendo as concessões tarifárias, as ações da companhia desabaram. A empresa revelou que teria perdas bilionárias e que, no lugar dos planos de expansão, a companhia preparava planos para cortar fortemente os custos, estudando até mesmo a adoção de um plano de demissão incentivada. Desta forma, a expectativa do mercado era de que a Eletrobras perdesse R$ 20 bilhões entre 2013 e 2017.
Uso político afeta ação da Eletrobras
De acordo com o analista da Geral Investimentos, Carlos Müller, o uso político da Eletrobras motiva este alto desconto da companhia em relação a outras do mesmo setor. Segundo ele, a situação enfrentada pela Petrobras (PETR3;PETR4) atualmente, com a política de preços de combustíveis sendo controlada para enfrentar a inflação e prejudicando os números das empresas, é enfrentada por muito mais tempo pela companhia do setor de energia.
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“Desta forma, a Eletrobras enfrenta uma série de dificuldades”, ressalta Müller, com a companhia vendo várias subsidiárias realizando prejuízos. Associado ao uso político, está ainda a entrada da Eletrobras em diversos leilões a preços mais baixos, de modo a estimular a concorrência no leilão.
Assim, mesmo com o grande desconto em relação aos seus pares, o analista também recomenda venda para os ativos, em função da baixa rentabilidade e das perspectivas ruins de crescimento. Dessa forma, mesmo com a queda acumulada nos últimos seis meses, as ações da companhia ainda têm espaço para cair mais, afirma Müller.