Desempenho

Ação da BM&FBovespa recua após Nyse sinalizar intenção de atuar no Brasil

Papéis chegam a cair 3,5% depois da confirmação da parceria entre Nyse e ATG para a criação de plataforma de negociação de ações no País

SÃO PAULO – As ações da BM&FBovespa (BVMF3) consolidaram um movimento de queda após a notícia de que a Nyse Euronext e a brasileira ATG selaram parceria para a criação de uma plataforma de negociação de ações em bolsa no Brasil. A joint venture dará início a ATS Brasil e terá como objetivo desenvolver uma central de liquidez para o mercado doméstico.

Às 16h15 (horário de Brasília), os papéis da bolsa nacional recuam 2,37%, para R$ 13,18. Os papéis acentuaram as perdas depois da divulgação da suposta parceria na mídia, levando os papéis recuarem forte a partir das 15h45. 

Fim do monopólio em ações? Ainda é cedo
Segundo o analista-chefe da corretora SLW, Pedro Galdi, os papéis repercutem a possibilidade de quebra de monopólio da BM&FBovespa no mercado acionário brasileiro. Ele acrescenta, no entanto, que ainda é difícil mensurar o impacto da entrada de uma nova plataforma no País.

O resultado, porém, só poderá ser visto a médio prazo, pois, conforme diz o analista, o volume de ações negociado no mercado brasileiro – de cerca de R$ 6 bilhões por dia – ainda é bem fraco. Por conta do montante pífio transacionado diariamente, ele adiciona que não vê motivo para a  existência de duas bolsas no Brasil.

“A tendência, claro, é o volume na negociação de ações aumentar, já que a rentabilidade da renda fixa deve continuar em baixa. Ainda assim, nosso mercado não é tão grande para ter duas bolsas”, avalia o analista.

A nova empresa deve entrar em operação em 2013, mas o acordo ainda depende da aprovação do Banco Central e da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), segundo nota enviada nesta segunda-feira (5).

No início, a ATS pretende operar no modelo conhecido como “mercado de balcão organizado”. Em comunicado, as empresas afirmam que a ATS Brasil não foi criada para competir com a BM&FBovespa, mas atuar de “forma complementar, melhorando a liquidez e a formação de preço dos ativos brasileiros”.

Pela estrutura do negócio, a ATG manterá o controle acionário, bem como a gestão operacional da companhia. A Nyse, como acionista minoritário, será responsável por fornecer a tecnologia.