Abilio reclama, mas convoca reunião para discutir sua destituição – e BRF enfrenta novo impasse

Rusgas entre Conselho e acionistas ganharam mais um capítulo com a divulgação do pior resultado da história - e fundos de pensão querem destituir Abilio Diniz do cargo de presidente do Conselho de Administração

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SÃO PAULO – Presidente do Conselho de Administração da BRF (BRFS3), o empresário Abilio Diniz atendeu à solicitação dos fundos de pensão Petros e Previ e convocou para o próximo dia 5 de março reunião do Conselho em que debaterá a sua destituição.

Os fundos de pensão, que possuem fatia de cerca de 22% na empresa, haviam solicitado a dissolução de todo o conselho de administração após a divulgação do pior resultado da sua história, com prejuízo superando R$ 1 bilhão em 2017. 

Em comunicado, o empresário apresentou insatisfação com o debate que vem ocorrendo sobre a gestão da BRF.

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“Entendo a posição dos fundos, sua necessidade de informar seus cotistas, e compartilho da insatisfação de todos os acionistas com os resultados da empresa. Mas discordo das ações, da forma e do momento em que estão se manifestando”, apontou o empresário. 

Segundo ele, não houve espaço para o diálogo,  afirmando que os acionistas introduziram o assunto anonimamente via imprensa e só depois enviaram comunicado formal à companhia. 

“Todo acionista que teve assento no Conselho de Administração é responsável pelos rumos da empresa, pois todas as decisões nesses últimos quase cinco anos foram tomadas de forma unânime pelo colegiado, com raríssimas exceções”, Abilio Diniz ressalta que a nova diretoria executiva montou um plano de ação aprovado e
elogiado pelo conselho no último dia 22 de fevereiro, mas acionistas ainda não tiveram a chance de conhecê-lo. Abilio ainda reiterou que sua ação será focada na defesa dos interesses da companhia e de seus acionistas.

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Vale ressaltar que Aurélio Drummond assumiu como CEO no fim de dezembro de 2017. Contudo, fundos de pensão consideram que a permanência de Drummond à frente da companhia também tornou-se insustentável, mesmo sendo recém-chegado no cargo e avaliado como um bom executivo. Isso porque ele não se afastou do conselho em dezembro, quando foi apontado como CEO. A leitura é que ele segue no conselho para garantir maioria de votos a Abilio.

Em meio a esse cenário turbulento, a BRF vive um impasse. Segundo o Bank of America Merrill Lynch, outra reorganização da gestão pode aumentar a incerteza sobre a velocidade de recuperação e estratégia de ganhos, ao mesmo tempo que as iniciativas da nova administração não estão nos preços da companhia. Já o BTG Pactual afirmou que, apesar de acreditar que um novo Conselho possa ser bem visto pelo mercado (principalmente após os resultados apresentados pela gestão atual), uma nova rodada de mudanças na companhia pode impactar suas operações no curto prazo. Sendo assim, os analistas apontam que continuam neutros em BRF e acreditam que as ações devem ser negativamente impactadas com o fluxo de notícias. 

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.