Frigorífico

Abertura dos EUA à carne brasileira? Para BTG, motivo da disparada da Marfrig é outro

A aproximação de uma outra abertura, desta vez do capital de uma de suas subsidiárias, pode reduzir o problemático endividamento do frigorífico

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SÃO PAULO – As ações do frigorífico Marfrig Global Foods (MRFG3) tem um desempenho invejável neste mês de junho, subindo 12%. A alta já vem desde o anúncio da abertura do mercado chinês às carnes brasileiras em maio – subiu pouco mais de 10% desde então – e muitos analistas olham para as perspectivas de um levantamento das barreiras também nos Estados Unidos para explicar a performance recente. No entanto, o BTG Pactual vê outro motivo para explicar a alta: é o IPO (Oferta Pública Inicial na sigla em inglês) da Moy Park. 

Arrastado desde o começo de 2014, a abertura de capital da subsidiária europeia da Marfrig na bolsa de Londres pode finalmente estar em vias de acontecer, segundo o relatório assinado pelos analistas Thiago Duarte e José Luis Rizzardo. De acordo com os diretores do frigorífico em coletiva de imprensa seguindo aos resultados do primeiro trimestre de 2015, já existe um banco contratado e o IPO deve sair entre setembro e outubro, depois das férias na Inglaterra. E a notícia é ótima para os acionistas da empresa se a operação realmente sair do papel este ano. 

Com sérios problemas de endividamento, atingindo um pico de 6,2 vezes no múltiplo dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização na sigla em inglês) nos primeiros três meses deste ano, o balanço da empresa pode ganhar um alívio. Com um desconto de 20% em relação aos seus pares, a Moy Park valerá R$  4,3 bilhões, trazendo as ações da Marfrig para o patamar de R$ 5,50, um upside (valorização) de 22% em relação aos preços atuais. 

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“Por mais que seja positivo se feito no valuation [avaliação de preço da empresa] certo, nós vemos o IPO da Moy Park como mais atrativo com o objetivo de melhorar a situação da alavancagem […] mais do que para simplesmente criar valor”, diz o research do banco de investimentos. As estimativas do BTG são de que a operação traria o endividamento deste nível de 6,1 vezes para 4,8 vezes. 

Depois da incapacidade da Marfrig de criar caixa no primeiro trimestre de 2015, o BTG acredita que há um risco de que os administradores tirem a atenção do das operações da empresa para a gestão do balanço, algo que já aconteceu no passado quando a empresa sofreu fortes quedas na Bolsa por ter perdido o rumo dentro de uma expansão movida por aquisições que gerou o endividamento que é problemático até hoje. Assim, a análise vê o IPO como deixando de ser uma opção e tornando-se obrigação da companhia para voltar a entregar aos investidores o que eles querem: uma redução da sua dívida.