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SÃO PAULO – A ação da M.Dias Branco (MDIA3), que fabrica biscoitos e importa trigo, viveu seu pesadelo na BM&FBovespa nesta terça-feira (7). Depois de ser vista como “a última bolacha do pacote” por boa parte do mercado – lembrando que ano passado as ações subiram 75% na Bolsa -, os papéis derreteram nesta sessão, após a companhia entregar um balanço decepcionante no 4° trimestre – mesmo que isso contemple uma expansão de lucro de 92,4% no período ante igual trimestre de 2015.
A grande preocupação do mercado veio nas últimas linhas do balanço da empresa: lucro, Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e margens decepcionaram, citaram os 4 relatórios de bancos – Itaú BBA, BTG Pactual, Bank of America Merrill Lynch e Goldman Sachs – compilados pelo InfoMoney sobre o balanço da companhia. Sem esperar por melhora e considerando a ação “cara” antes mesmo do resultado ruim, o Itaú BBA optou por cortar hoje mesmo a recomendação da ação de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado), mantendo o preço-alvo em R$ 130,00.
A reação à leitura negativa foi sentida na Bolsa: as ações da empresa amargaram queda de 8,47%, a R$ 122,65, após marcarem na mínima do dia desvalorização de 9,53%, a R$ 121,23. O volume financeiro movimentado com a ação ficou em R$ 84,8 milhões, contra média diária de R$ 21,7 milhões nos últimos 21 pregões.
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O que os analistas viram de tão ruim?
Segundo o BTG Pactual, o Ebitda veio 16% abaixo do previsto, com margem mais fraca do que a esperada. “Os ganhos também são inferiores às expectativas, refletindo desempenho operacional fraco”, comentaram os analistas. Para eles, a falta de margem refletiu principalmente os subsídios fiscais mais baixos do estado.
O Itaú BBA ressaltou que o Ebitda veio 17% abaixo da estimativa do banco e 13% abaixo do consenso. Os analistas apontam que a compressão de margens começou, o que pode ser atribuída em parte aos descontos.
Já o BofA e Goldman Sachs comentaram que o balanço decepcionou, mas os volumes vieram fortes. Os analistas Luca Cipiccia e João Barrieu, do Goldman, comentaram: “De um lado, a empresa foi a única em nossa cobertura do setor de alimentos e bebidas no Brasil a entregar crescimento de volume, que acelerou sequencialmente no 3° trimestre. De outro, os preços e lucro vieram abaixo das expectativas, guiados por uma normalização das margens desproporcionais relatadas nos trimestres anteriores”.
O BofA optou por manter a recomendação neutra da ação, com preço-alvo de R$ 145,00 por ação, em meio à visão de que, no curto prazo, os ganhos serão suportados por um real mais forte e baixo preços do trigo. Da mesma forma, o Goldman manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 116,00.
O resultado:
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A companhia encerrou o quarto trimestre de 2016 com lucro líquido de R$ 236,1 milhões, o que representa um avanço de 92,4% ante igual trimestre de 2015. Em 2016, o lucro foi de R$ 784,4 milhões, uma alta de 29,9% ante o ano anterior. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou R$ 240,8 milhões entre outubro e dezembro de 2016, um avanço de 80,6% ante o mesmo intervalo de 2015. No ano de 2016, o Ebitda totalizou R$ 919,4 milhões, o que representa um crescimento de 33,9% ante 2015.
A receita líquida da empresa foi de R$ 1,400 bilhão no quarto trimestre do ano, com alta de 16,8% ante igual trimestre do ano anterior. Nos 12 meses encerrados em dezembro, a receita líquida somou R$ 5,328 bilhões, com crescimento de 15,3% ante 2015.