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SÃO PAULO – Dentre as muitas novelas que a Bovespa apresenta a seus investidores, a da Usiminas é sempre uma das mais acompanhadas pelo mercado. A cada nova notícia que envolve o imbróglio entre as duas companhias do bloco de controle da Usiminas – Ternium-Technit e Nippon Steel -, as ações ordinárias da siderúrgica respondem rapidamente.
Desta vez, não foi diferente. Em um histórico rápido, de 2011 até o final de 2014, os papéis da Usiminas viviam fortes quedas (77%) acompanhando a crise do aço, que assolou as companhias do setor. A partir de outubro de 2014, no entanto, quando deflagrou-se a richa entre a argentina Ternium e a japonesa Nippon após a destituição de membros da gestão da Usiminas que haviam sido indicados pela Ternium, os investidores viram uma oportunidade de compra dos papéis ordinários para serem protegidos pela ferramenta do “tag along” em uma possível saída dos participantes do bloco.
Após dispararem 250% do final de outubro até o dia 15 de fevereiro, os papéis USIM3 passaram a cair em um misto de forte realização dos ganhos – uma vez que é esperado que um papel que dispare muito forte em um curto período de tempo perca seus ganhos de maneira proporcional – e pela calmaria dos noticiários entre a briga que parece infindável. Somente entre fevereiro e março, os papéis ordinários da siderúrgica despencaram 50%.
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No entanto, após voltar aos holofotes dos investidores e ganhar mais um capítulo, a novela da Usiminas fez com que os papéis disparassem novamente, registrando ganhos de 129% em apenas 3 dias e recuperando todas as perdas vistas no último mês. O motivo da nova disparada: ainda a briga societária.
Em 2014, a CSN – de Benjamin Steinbruch, que “sonhava” em entrar no bloco de controle da Usiminas – ingressou com pleito na CVM, para que a autarquia reavaliasse a necessidade de que o grupo Ternium-Techint realizar a OPA, sob a argumentação de que houve troca de controle quando o grupo ingressou no capital da Usiminas no fim de 2011. Uma decisão favorável poderia acionar o “tag along”, mecanismo que prevê que, diante da alienação do controla de uma companhia, o comprador terá que fazer a mesma oferta aos demais acionistas minoritários detentores das ações ordinárias. O fundo L.Par, de Lírio Parisotto, seguiu a CSN e encaminhou à CVM uma manifestação apoiando o pedido da siderúrgica.
Além disso, na última sexta-feira, uma reportagem do Valor apontou que os acionistas minoritários da Usiminas, liderados pelo empresário Lírio Parisotto, dono do fundo de participações L. Par, entraram com pedido de convocação de AGE (Assembleia Geral Extraordinária) a fim de eleger um novo colegiado de conselheiros da siderúrgica até o início de abril. A previsão é que a AGE seja realizada no dia 2 do próximo mês.
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Veja o histórico das movimentações de USIM3 nos gráficos abaixo:
1) a crise siderúrgica
Os papéis sofreram com os baixos preços do aço entre março de 2011 e outubro de 2014, apresentando derrocada de 77% nos ativos.
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2) o início da novela
Com o início da briga entre Nippon Steel e Ternium Technit, a novela da Usiminas já começou a ser vista na Bovespa. A japonesa iniciou uma briga na justiça contra a argentina após a destituição de três grandes executivos da Usiminas, que haviam recebido milhões ilegais e que haviam sido indicados para seus cargos pela Ternium. Enquanto a Nippon era à favor da destituição, a Ternium, no entanto, seguia contra. No gráfico, podemos observar que no intervalo entre outubro de 2014 e fevereiro deste ano, os papéis entraram em um “ralli noveleiro” e dispararam 250%.
3) O alívio
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Após dispararem 250%, as ações USIM3 voltaram a operar no negativo. Em uma mistura de realização dos ganhos, , já que é esperado que um papel que dispare muito forte em um curto período de tempo perca seus ganhos de maneira proporcional, e pela falta de notícias da briga societária da companhia. Em uma tentativa de voltar a operar junto com seus papéis preferenciais, os ativos ON caíram 50% entre fevereiro e março.
4) A volta ao positivo
Após a derrocada de 50%, no entanto, os papéis voltaram ao positivo na Bolsa e já se recuperam com disparada de 119,6% em três pregões em meio à volta da briga societária da Usiminas aos holofotes dos investidores. Ontem, a empresa foi questionada pela BM&FBovespa sobre a alta dos últimos dias. A Usiminas informou, no entanto, que não tem conhecimento de qualquer fato ou ato ocorrido que possam justificar as oscilações atípicas de volume e número de negócios.