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SÃO PAULO – A Petrobras (PETR3; PETR4) ainda não conseguiu se recuperar do baque que sofreu após acordo com o governo para exploração do óleo excedente de áreas da sessão onerosa. Na última sexta-feira, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, tentou reverter a situação, mas parece que não deu muito certo e os analistas seguem reticentes sobre o anúncio.
A visão dos analistas é que a direção executiva da empresa se esforçou para demonstrar a boa intenção em fazer o melhor para a empresa – do ponto de vista técnico. Afinal, adicionar 10 bilhões de barris de óleo equivalente a seu portfólio é um bom negócio, a princípio, para qualquer petrolífera. No entanto, presumir que é um bom negócio para a Petrobras exigiria mais do que acreditar que a administração da empresa está genuinamente tentando fazer um bom trabalho. “É preciso estar convencido de que os tão aguardados reajustes de preços de diesel e gasolina não vão demorar”, comentaram Diego Mendes e Paula Kovarsky, do Itaú BBA, que estavam presentes na reunião.
Para eles, não daria para assumir a hipótese de que o acordo seria bom para a empresa sem ter em mente que a contraparte (o governo), que teria que ser tão capaz e racional quanto à equipe da Petrobras. “De acordo com a administração, a empresa está muito bem posicionada para encarar as negociações necessárias com o governo. Mas como todos sabem, no fim das contas, a política pode prevalecer sobre a racionalidade econômica”, disseram.
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Ou seja, embora útil, há ainda muitas incertezas, principalmente com a falta de detalhamento sobre a curva de produção, um dos pontos levantados pelos analistas do Itaú BBA, Santander e Morgan Stanley.
Segundo resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), a produção de óleo que superar a curva de produção da área da cessão onerosa ficará sob o regime de distribuição de lucros. Entrentanto, os analistas ainda ressaltam que não houve detalhes adicionais sobre essa curva, e houve falta de informações pelas quais poderiam avaliar melhor a atratividade desse projeto para a Petrobras.
No final das contas, a reunião que era para dar um norte ao mercado não resolveu muito o problema. “Útil, mas ainda restam dúvidas”: há preocupação com o aumento dos investimentos em função do acordo, incertezas sobre o rating da empresa e impacto no curto prazo sobre a geração de fluxo de caixa do pagamento de um bônus de assinatura e possível necessidade de pagar pelo óleo antes do início da produção, apontaram os analistas do Santander.
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Nesta sessão, as ações da petroleira até tentaram ensaiar uma reação pela manhã, mas foi rapidamente neutralizada pelo persistente temor do mercado. Às 15h57 (horário de Brasília), os papéis ordinários da empresa caíam 0,37%, a R$ 15,99, enquanto os preferenciais recuavam 0,47%, a R$ 17,12.