A bomba “X” que BB terá que reconhecer em seu próximo balanço

Além de atrasar os projetos do banco Votorantim de encerrar prejuízos e voltar ao azul em 2013, uma dívida milionária da OSX trará uma perda de R$ 224 mi ao BB no 4° trimestre

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SÃO PAULO – Não bastasse carregar o banco Votorantim, que se arrasta para voltar ao azul, e o julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) que pode causar um rombo de até R$ 150 bilhões nos bancos brasileiros, o Banco do Brasil (BBAS3) ganhou na semana passada mais uma pesada “bomba” para reconhecer no seu próximo balanço.

O Banco Votorantim foi obrigado a reconhecer uma dívida de R$ 570 milhões da OSX Brasil (OSXB3), empresa naval de Eike Batista. O banco, cuja gestão é compartilhada entre a família Ermínio de Moraes e o BB, era “fiador” do empréstimo feito, originalmente, pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Nessa operação, o Votorantim vendeu ao BNDES a fiança, em troca de garantir o pagamento da dívida. O banco estatal preferiu executar essa fiança e reaver o dinheiro. 

Além de atrasar os projetos do banco Votorantim de encerrar prejuízos e voltar ao azul em 2013, a dívida da OSX trará uma perda de R$ 224 milhões ao BB no quarto trimestre, o que representa 8% do resultado final estimado pelo mercado para o quarto trimestre, avaliou a XP Investimentos. Isso porque o BB possui 50% do Votorantim.

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Por meio de comunicado, o BB afirmou que “estão mantidos todos os guidances informados na divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2013”. Entretanto, mesmo após reforçar o guidance proposto, a XP acredita que o evento gerará um desconforto para o cumprimento das metas, classificando o evento como negativo. No mesmo dia do anúncio, na terça-feira passada, a casa de research Empiricus rebaixou a recomendação para as ações do BB, de compra para neutro. Apesar do banco estatal pagar dividendos próximos de 7% ao ano, os analistas veem isso sob risco em um 2014 de desaceleração de crédito e eleições, aliado a “bomba” que o Votorantim havia acabado de assumir. 

Como se tratava de uma fiança, o Votorantim não tinha a obrigação de fazer provisões para cobrir uma eventual perda. Conforme divulgado pela imprensa, o banco tinha apenas 20% do valor da dívida salvaguardado, ou cerca de R$ 100 milhões (em linha com a classificação de risco da concessão), deixando assim uma obrigação adicional na ordem de R$ 448 milhões, retardando dessa forma a volta do banco ao azul após registrar sucessivos prejuízos. Especialista em financiamento de carros usados, o Votorantim teve prejuízo de R$ 633 milhões de janeiro a setembro, 59,4% menos do que o R$ 1,56 bilhão do mesmo período de 2012.