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SÃO PAULO – A empresa de açúcar e etanol Biosev (BSEV3) está prestes a enfrentar um de seus piores pesadelos. Quando lançou suas ações na Bolsa, em fevereiro de 2013, a controladora da empresa, a francesa Louis Dreyfus, ofereceu uma opção de venda aos acionistas que entraram na oferta, dando o direito destes investidores receberem o dinheiro investido após 15 meses, caso os papéis não estivessem cotadas a pelo menos R$ 16,57. Hoje, no entanto, as ações são cotadas 53% abaixo desse valor, tendo fechado o pregão da última quinta-feira a R$ 7,70. E o prazo para os investidores exercerem estas opções termina justamente na próxima segunda-feira (21).
A opção de venda, que na época do IPO (Initial Public Offering) foi tido como a grande solução para entrada no mercado já que dava alguma garantia ao investidor em um momento de aversão ao risco, se tornou uma bomba relógio. Isto porque é de se esperar que todos os acionistas que têm a opção em mãos irão exercê-los, lembrando que a empresa entrou na Bolsa cotada a R$ 15, ou 48% abaixo do valor atual. Se isto vier a se confirmar, a controladora da Biosev pode ter que desembolsar cerca de R$ 560 milhões para honrar essas opções.
Procurada nesta semana para comentar o assunto, a Biosev disse que não poderia atender a solicitação. Mas em entrevista ao InfoMoney na metade do ano passado, a empresa reforçou que o exercício da “put” (opção de venda) pelos acionistas não afetava a companhia, lembrando que tinha sido feita pela controladora. “A Biosev é uma companhia rentável e a controladora só mostrou com essa opção que estava apoiando o movimento da empresa e que confiavam no nosso resultado”, disse o então presidente da empresa, Christophe Akli.
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Entretanto, não é somente o pagamento o grande problema da empresa. Além do pagamento, a empresa cai em um outro problema. A recompra das ações será feita pela controladora Louis Dreyfus, por meio da Hédera Investimentos, veículo que criou para lançar as opções. Com a operação, a acionista controladora ficará com mais de um terço das opções em circulação na Bolsa, o que implicaria na necessidade de realizar uma OPA (Oferta Pública de Ações). Atualmente, a Dreyfus detém 120.782.850 ações via Sugar Holdings B.V, NL Participations Holding 2 BV e NL Participations Holding 4 BV, ou 58% do free float.
Para se livrar da obrigação de ter que realizar uma OPA, o que demandaria ainda mais recursos, a Hédera recorreu à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pediu o prazo um prazo de 24 meses após 21 de julho para alienar as ações. No início deste mês, o colegiado concedeu 18 meses. O procedimento será aplicado caso os donos de opções de venda lançadas pela Hédera Investimentos no IPO exerçam seu direito de vender ações para esta empresa, em volume que a faça adquirir mais de um terço das ações no mercado.
Agora é esperar para ver o que ocorrerá na próxima segunda-feira, que é quando os acionistas vão poder exercer ou não a “put”.