Plano de negócios

3 fatores que podem fazer do novo plano da Petrobras um “gatilho” para as ações

Mercado fica na expectativa pela divulgação do plano de negócios da estatal que, segundo o jornal Valor, será revelado dia 23; BofA vê plano como catalisador para os ativos

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SÃO PAULO – Após um turbilhão desde o final do ano passado, a Petrobras (PETR3;PETR4) tem registrado dias mais calmos na Bovespa. Mas isso não quer dizer que mais coisas não estejam por vir para a companhia. 

Após a divulgação do balanço auditado dos terceiro e quarto trimestres de 2014 e dos números do primeiro trimestre, agora todos os olhares ficarão atentos ao plano de negócios da Petrobras entre 2015-2019. A expectativa era de que o plano fosse divulgado nos últimos dias de junho. Contudo, o diretor e Gás da empresa, Hugo Repsold, é “muito difícil” que o Plano de Negócios 2015-2019 seja levado para a reunião do Conselho prevista para o fim de junho. De qualquer forma, a expectativa é de que a companhia anuncie um drástico corte de investimentos. Agora, a expectativa é de que ele seja divulgado em julho, segundo informações da agência Reuters. 

O Bank of America Merrill Lynch foi apontado para ser o coordenador dessa venda de ativos, segundo fontes ouvidas pela mesma agência. Coincidência ou não, a instituição americana divulgou um relatório na mesma semana dando seu parecer sobre o plano de investimentos. Conforme destacam os analistas do banco americano, o plano de negócios será um catalisador importante para a companhia, com expectativa de que se revele um plano de desalavancagem através de três fatores: uma estratégia de capex disciplinada, venda de ativos e uma melhor política de reajuste de preços. 

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“Esperamos que a gestão da companhia irá trabalhar para evitar uma deterioração do balanço e aumento da dívida que levariam a um rebaixamento do rating da estatal”, ressaltam, com a expectativa de uma estratégia mais focada. 

i) capex: para além de 2015 e 2016, com capex respectivos de US$ 29 bilhões e US$ 25 bilhões, os analistas esperam que o capex entre 2017 e 2019 seja de US$ 30 bilhões por ano. “Em nossa opinião, este nível de capex pode permitir o financiamento de projetos em crescimento e atender à necessidades de gastos em outros segmentos.

ii) O crescimento da produção: a estimativa é de um CAGR (crescimento da receita bruta a uma taxa composta média) de produção para 2015-2019 de 3,4%. Apesar da necessidade de gerenciar capex dentro de um ambiente de queda de fluxo de caixa, uma limitação fundamental no crescimento ao longo dos próximos três ou quatro anos deve estar relacionada com a capacidade de obter equipamentos entregues dos ofertantes. Dado o envolvimento de alguns fornecedores no escândalo da Operação Lava Jato e os desafios operacionais, a perspectiva de crescimento deverá ser baseada em uma revisão completa da capacidade do fornecedor em entregar o que foi pedido.

iii) desalavancagem: O BofA espera que o plano de negócios mostre um processo gradual na desalavancagem da companhia, sendo fatores-chave os preços de petróleo, câmbio, capex, entre outros. “Nós esperamos que a companhia termine o ano de 2020 com uma relação entre dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) de 2,7 vezes”. 

Um grande catalisador? Talvez não…
Por outro lado, o Santander avalia que não deve haver grandes mudanças no horizonte da Petrobras por conta da divulgação do plano de negócios.

As perspectivas de desalavancagem, que deve demorar para ocorrer de forma efetiva, a desaceleração da produção, o capez que deve ser similar ou a um nível um pouco menor que US$ 25 bilhões ao ano, a política de combustíveis e a perspectiva de desinvestimentos devem ser fatores a serem olhados com atenção pelo mercado. A desalavancagem é fundamental, mas desafiadora, ressalta o banco. 

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