Votos em primária de New Hampshire importam para Biden, mesmo fora da cédula

As primárias do dia 23 de janeiro serão o primeiro teste eleitoral da força política de Biden na atual campanha

Reuters

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WASHINGTON (Reuters) – Democratas estão tentando moderar as expectativas quanto ao desempenho do presidente Joe Biden nas primárias democratas de New Hampshire na próxima semana, e aliados do mandatário lutam para arregimentar apoios por escrito a ele, cujo nome não estará nas cédulas de votação.

As primárias do dia 23 de janeiro serão o primeiro teste eleitoral da força política de Biden na atual campanha, e a situação sem precedentes será acompanhada de perto, uma vez que as pesquisas indicam que ele está empatado na corrida pela Casa Branca com o seu provável adversário, o republicano e ex-presidente Donald Trump.

Um resultado ruim contra os azarões Dean Phillips, um parlamentar de Minnesota, e a autora de livros de autoajuda Marianne Williamson pode alimentar preocupações sobre a fraqueza do atual presidente antes da eleição presidencial.

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Biden não se registrou para a corrida em New Hampshire, depois de o Estado ter se recusado a aceitar sua exigência de ceder seu lugar de primeiro do Estado no calendário das primárias para a Carolina do Sul, uma região mais diversa.

Mas seus apoiadores em New Hampshire ainda podem votar nele, já que muitos Estados dos EUA permitem que eleitores escrevam na cédula o nome de um candidato que não está oficialmente disputando a eleição. Esse candidato vencerá se receber mais votos do que os registrados.

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Andy Smith, diretor do Centro de Pesquisas da Universidade de New Hampshire, afirmou que Biden deve obter “uma vitória bem significativa”, mas alertou que não sabe o que isso significa: “O que é uma vitória grande o suficiente para fazer a diferença? Neste momento a gente vê Biden à frente, com cerca de 70% dos votos. É o suficiente? Significa que o Partido Democrata o apoia, ou mostra divisão na legenda?”.

Jim Demers, um dos organizadores da campanha de Biden, afirmou ter visto pesquisas em que o presidente vai de pouco menos de 50% das intenções de voto até 60%.
O Comitê Nacional do Partido Democrata decidiu que a eleição em New Hampshire não contará oficialmente, e o vencedor não levará os 23 delegados em março, quando a legenda escolherá seu candidato.

Grandes aliados de Biden — incluindo a parlamentar californiana Ro Khanna; o governador do Illinois, J.B. Pritzker; e a prefeita de Boston, Michelle Wu — têm ajudado a animar os eleitores do presidente, e os organizadores afirmam que possuem um orçamento apertado para ensinar os eleitores a escrever um candidato.

Uma sondagem da CNN conduzida pelo Centro de Pesquisas da Universidade de New Hampshire, no meio de novembro, mostrou que 65% dos prováveis eleitores nas primárias escreverão o nome de Biden. Phillips teria 10% de apoio, ante 9% de Williamson.

Em 2020, Biden terminou a primária do Estado em uma decepcionante quinta colocação, em eleição com mais de 300 mil votos registrados. Autoridades locais esperam menos de 100 mil neste ano.

O democrata Lyndon B. Johnson, na época presidente, esnobou as primárias de New Hampshire em 1968 por excesso de confiança, vendo assim ganhar força a campanha do senador Eugene McCarthy, com sua plataforma contrária à Guerra do Vietnã. Eleitores do mandatário montaram uma campanha de voto escrito que foi vencedora por pouco nas primárias, mas um enfraquecido Jonhson deixou a corrida eleitoral semanas depois.