Venezuela: Socorristas vasculham escombros e há milhares de desaparecidos

Dois fortes tremores devastaram Caracas e arredores, mobilizando equipes de resgate sob escombros em meio à destruição de prédios, falta de energia e hospitais danificados

Reuters

(Foto: Maxwell Briceno / Reuters)
(Foto: Maxwell Briceno / Reuters)

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CARACAS/LA ⁠GUAIRA/MORÓN, 26 Jun (Reuters) – Equipes de resgate trabalharam durante toda a ⁠noite para salvar centenas de venezuelanos presos sob os escombros e localizar outros milhares ‌de desaparecidos, depois que dois dos maiores terremotos da história moderna da América Latina devastaram áreas na capital Caracas e arredores.

O governo informou que 235 mortos foram levados a centros médicos, mas ‌não forneceu uma estimativa total do número de vítimas dos tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que ocorreram cerca de 160 km a oeste de Caracas na quarta-feira.

Um site criado para rastrear pessoas desaparecidas e divulgado por líderes da oposição do país politicamente polarizado listou mais de 49.600 pessoas como desaparecidas, enquanto o Serviço Geológico dos Estados Unidos previu mais de 10.000 mortes.

O Ministério das Relações Exteriores ⁠da ‌Espanha informou que três de seus cidadãos morreram, quatro ficaram presos sob os escombros e ⁠outros 99 continuavam desaparecidos.

Com a chegada de equipes de resgate estrangeiras, bombeiros, soldados e cidadãos angustiados vasculhavam prédios destruídos, alguns usando as próprias mãos e tochas em locais onde faltava energia elétrica.

“Ele está sob as lajes e não há maquinário para resgatá-lo”, disse Yamileth Jimenez sobre seu filho de 19 anos, preso nos escombros do prédio de apartamentos de sete ​andares onde moravam, na cidade de La Guaira, no litoral nos arredores de Caracas.

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Milhares estão desabrigados em um país já enfraquecido por décadas de turbulência econômica e política que empobreceu a ​população, provocou um êxodo de milhões de pessoas e deteriorou a infraestrutura e os serviços básicos.

Muitos vivem em favelas precárias nas encostas, chamadas de “barrios”.

“Meu prédio está inabitável e agora não tenho mais nada. Somos só eu e meu filho, e não tenho família no país”, declarou Suhayl Sarquiz, de 50 anos, que perdeu o emprego há alguns meses.

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“É uma tragédia”, disse Beatriz Rodríguez, ‌de 60 anos, cujo sobrinho teve as pernas amputadas depois de ​ser esmagado pelos terremotos. Outro sobrinho morreu.

DORMINDO NAS RUAS

O governo confirmou 250 prédios danificados ou destruídos. Pelo menos oito hospitais, a Cruz Vermelha Venezuelana e a embaixada da França estavam entre os prédios que, segundo relatos, ficaram gravemente danificados.

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Quase ⁠7 milhões de pessoas podem ter ​sido afetadas, informou o órgão ​de migração da ONU, que estava fornecendo abrigo de emergência e outros suprimentos de socorro.

La Guaira, o Estado litorâneo vizinho ⁠a Caracas e onde fica o principal aeroporto do ​país, estava entre as áreas mais atingidas. Um fluxo de voluntários seguiu pela rodovia Caracas-La Guaira levando água, alimentos e medicamentos.

“Perdemos tudo”, disse Pedro Pérez, 64, dono de uma oficina de estofamento que contou ter perdido ​tanto sua casa quanto seu negócio e está dormindo na rua com a esposa e os filhos.

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“Esperamos que a ajuda chegue logo.”

Perto do epicentro, em Morón, uma ​cidade litorânea no Estado de Carabobo, ⁠casas desabaram e os moradores ficaram sem água nem eletricidade. As famílias resgataram o que puderam, incluindo colchões, televisores e máquinas ⁠de lavar.

Nações de todo o mundo prometeram apoio, inclusive algumas que se opuseram à Venezuela durante décadas de isolamento internacional, repressão política e deterioração econômica sob o Partido Socialista no poder.

A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo quando os EUA detiveram seu aliado e ex-líder Nicolás Maduro em janeiro, agradeceu tanto ao presidente dos EUA, Donald Trump, quanto ao presidente russo, Vladimir Putin, por seus ​esforços.

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