Venezuela: sistema de exportação de petróleo está fora do ar após ataque cibernético

A rede da Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), que gerencia dados de exportação e importação no principal terminal de petróleo bruto do país permanecia fora do ar na segunda

Bloomberg

Uma escultura em frente à sede da Petroleos de Venezuela SA em Caracas, Venezuela. Fotógrafo: Matias Delacroix/Bloomberg
Uma escultura em frente à sede da Petroleos de Venezuela SA em Caracas, Venezuela. Fotógrafo: Matias Delacroix/Bloomberg

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A estatal venezuelana de petróleo ainda enfrenta dificuldades para restaurar sistemas administrativos essenciais após o que classificou como um ataque cibernético ocorrido no fim de semana.

A rede da Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), que gerencia dados de exportação e importação no principal terminal de petróleo bruto do país, em José, permanecia fora do ar na segunda-feira, após a invasão registrada no início do sábado. A interrupção atrasou carregamentos programados e obrigou a adoção de medidas de contingência em toda a empresa, segundo três pessoas familiarizadas com a situação.

A PDVSA orientou seus funcionários a desligar os computadores, desconectar equipamentos externos e cortar conexões de Wi-Fi e Starlink, de acordo com essas fontes, que citaram um memorando interno visto pela Bloomberg. A segurança nas instalações da empresa também foi reforçada desde domingo.

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Em comunicado divulgado na segunda-feira, a companhia afirmou ter neutralizado uma “tentativa de sabotagem” com o objetivo de interromper suas operações. Acrescentou ainda que a produção de petróleo não foi afetada. Um porta-voz da PDVSA não respondeu imediatamente aos questionamentos.

O presidente Nicolás Maduro tem acusado com frequência os Estados Unidos de orquestrar ataques cibernéticos e outras formas de sabotagem. Ele também responsabilizou um ataque hacker que, segundo ele, teve origem na Macedônia, pelo atraso na apuração da eleição presidencial do ano passado.

Em outubro, o presidente Donald Trump afirmou ter autorizado a Agência Central de Inteligência (CIA) a realizar ações encobertas na Venezuela para conter o envio de drogas e a migração ilegal para os EUA. Desde o início de setembro, os Estados Unidos atingiram quase duas dúzias de embarcações no sul do Caribe, alegando que transportavam narcóticos com destino ao país.

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Essas operações aumentaram as tensões com o governo Maduro e alimentaram especulações de que Washington possa estar se preparando para uma ação militar mais ampla na Venezuela. Na semana passada, os EUA apreenderam um navio-tanque de petróleo sancionado que transportava uma carga de petróleo venezuelano.

Anos de manutenção limitada enfraqueceram ainda mais as redes administrativas da PDVSA, tornando-as mais vulneráveis a invasões, segundo as fontes. A empresa também perdeu licenças de softwares essenciais após sanções dos EUA proibirem negociações com fornecedores americanos de tecnologia. Embora a PDVSA já tenha sofrido ataques a seus sites anteriormente, nenhum deles durou tanto quanto a interrupção atual, disse uma das pessoas.

O documento interno orientou os funcionários a não reiniciar nem utilizar quaisquer dispositivos sem autorização, alertando que a empresa ainda não descartou a possibilidade de comprometimento de informações.