Urnas fechadas: eleições legislativas na Argentina têm recorde de abstenção

Apenas 66% dos eleitores compareceram às urnas neste domingo (26), no pleito que definirá parte do Congresso e o futuro das reformas do presidente argentino

Marina Verenicz

Uma mulher vota em uma seção eleitoral durante as eleições de meio de mandato, em La Plata, Buenos Aires, Argentina, em 26 de outubro de 2025. REUTERS/Martin Cossarini
Uma mulher vota em uma seção eleitoral durante as eleições de meio de mandato, em La Plata, Buenos Aires, Argentina, em 26 de outubro de 2025. REUTERS/Martin Cossarini

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As eleições legislativas da Argentina, realizadas neste domingo (26), registraram o menor comparecimento popular desde o retorno da democracia, em 1983. Segundo a Câmara Nacional Eleitoral (CNE), 66% dos eleitores argentinos votaram, apesar de o voto ser obrigatório no país.

O índice é 15 pontos percentuais menor que a média histórica, que gira em torno de 81%, e confirma uma tendência de cansaço político e desconfiança institucional observada nos últimos pleitos.

O país foi às urnas para renovar 127 das 257 cadeiras da Câmara dos Deputados e 24 das 72 vagas do Senado, em uma eleição marcada pela estreia da Cédula Única de Papel (BUP), adotada em todo o território nacional após décadas do sistema de cédulas partidárias em envelopes.

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Maior abstenção

A taxa de participação ficou abaixo dos 71,7% registrados em 2021, durante a pandemia de Covid-19, e foi ainda menor que os 72,4% das legislativas de 2001, realizadas em meio à grave crise econômica e institucional que levou à queda do então presidente Fernando de la Rúa.

Segundo o relatório final da CNE, um terço dos argentinos habilitados para votar optou por não ir às urnas, configurando o maior absenteísmo desde a redemocratização.

Plebiscito informal sobre Milei

O pleito funciona, na prática, como um referendo sobre os dois primeiros anos de governo de Javier Milei (La Libertad Avanza). O presidente tenta ampliar sua base no Congresso para aprovar reformas econômicas e privatizações que sustentam sua agenda liberal.

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Desde que assumiu a Casa Rosada, em dezembro de 2023, Milei governa com menos de 40 deputados e 7 senadores, o que o obriga a negociar com partidos provinciais e setores do peronismo moderado.

Com as novas vagas em disputa, o libertário busca garantir ao menos um terço da Câmara, número suficiente para impedir a derrubada de vetos presidenciais e consolidar sua governabilidade.

Presidente evita imprensa

Milei votou pela manhã em uma escola de Buenos Aires, acompanhado da irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei. Cercado por forte esquema de segurança, o presidente cumprimentou apoiadores, evitou declarações à imprensa e deixou o local rapidamente.

Mais tarde, publicou no X (antigo Twitter) uma foto depositando o voto, com a legenda: “Cumpri meu dever cívico. Fim.”

Os primeiros resultados parciais devem ser divulgados às 21h (horário local, 21h de Brasília).