Um pedaço do foguete da SpaceX vai colidir com a Lua na quarta-feira

O objeto, do tamanho de ‌um ônibus escolar, é o segundo estágio de um foguete Falcon 9 da SpaceX

Reuters

Kennedy Space Center, da SpaceX (Foto: Divulgação / SpaceX)
Kennedy Space Center, da SpaceX (Foto: Divulgação / SpaceX)

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WASHINGTON, 4 Ago (Reuters) – Um pedaço de foguete ⁠da SpaceX que está flutuando no espaço desde o ano passado deve ⁠colidir com a Lua em alta velocidade na madrugada de quarta-feira.

O objeto, do tamanho de ‌um ônibus escolar, é o segundo estágio de um foguete Falcon 9 da SpaceX que havia lançado um módulo de pouso lunar da Firefly A erospace em direção à Lua em janeiro de 2025.

Pesando quatro toneladas, ‌o corpo do foguete deve atingir a Lua por volta das 3h35 (horário de Brasília), colidindo com a superfície a 8.690 km/h. O lixo espacial levantará uma nuvem de poeira lunar que provavelmente será iluminada pela luz solar, mas difícil de ser avistada a olho nu da Terra.

O impacto não é intencional, informou a SpaceX. Espera-se que o fragmento do foguete atinja a Cratera Einstein, na borda ocidental da Lua, que costuma ser difícil ⁠de ‌ser vista da Terra.

FORÇAS CÓSMICAS EMPURRARAM O PEDAÇO EM DIREÇÃO À LUA

Esses estágios normalmente caem de volta na ⁠atmosfera terrestre e se queimam ou mergulham no oceano após impulsionar a carga útil do foguete até um ponto preciso em órbita.

Mas, como a missão do módulo de pouso lunar exigiu mais impulso do que missões mais próximas da Terra, o segundo estágio do foguete permaneceu no espaço, flutuando sem rumo entre milhares de outros pedaços de lixo espacial dos quais os satélites ativos precisam se ​manter afastados.

Foi somente no início deste ano que os astrônomos determinaram que o estágio do foguete, que havia descarregado seu combustível restante e não pode ser controlado, estava em uma trajetória orbital que ​terminava na Lua.

“O que aconteceu foi essencialmente uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais que o colocaram em uma trajetória rumo à Lua”, disse Julianna Scheiman, diretora da SpaceX para os programas científicos da Nasa e do Dragon, aos repórteres na segunda-feira.

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“Isso pode ter algum — provavelmente pequeno — interesse científico, e podemos aprender algumas coisas com isso”, disse Bill Gray, criador de um software de astronomia amplamente utilizado que ‌publicou um relatório sobre o impacto do estágio em abril.

“Isso não representa ​nenhum perigo para ninguém, embora destaque um certo descuido em relação à forma como os resíduos de equipamentos espaciais (lixo espacial) são descartados.”

Impactos de lixo espacial na Lua são raros. Um estágio de foguete chinês colidiu com a Lua em março de 2022, após ⁠concluir uma missão de teste lunar. Em ​2009, a Nasa fez um ​estágio de foguete colidir intencionalmente com a Lua para estudar a nuvem de material lunar lançada pelo impacto.

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Várias espaçonaves que pretendiam pousar ⁠suavemente na Lua nos últimos anos acabaram se acidentando. A ​missão russa Luna-25, movida a energia nuclear, ficou fora de controle e se acidentou em 2023. Sua pequena fonte de energia de plutônio-238 provavelmente permanece inofensiva na superfície lunar.

A missão do módulo de pouso indiano Chandrayaan-2 sofreu um acidente ​em 2019. O módulo de pouso israelense Beresheet também sofreu um acidente naquele mesmo ano. Entre as cargas úteis do módulo de pouso israelense estavam minúsculos tardígrados, animais microscópicos conhecidos ​por sobreviverem à radiação e a ⁠outros ambientes hostis, e que podem ainda estar na superfície.

A Nasa fez com que estágios de seu foguete lunar Saturn 5 colidissem intencionalmente ⁠com a Lua na década de 1970 para estudar os efeitos sísmicos dos impactos.

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A Nasa e a SpaceX estão discutindo maneiras de evitar futuros impactos lunares, disse Scheiman. A agência espacial dos EUA planeja construir uma base lunar e enviar missões rotineiras de astronautas à superfície lunar a partir do final desta década, no âmbito de seu programa Artemis, de vários bilhões de dólares. Ela não gostaria que pedaços errantes de lixo espacial causassem impactos nesses ​ativos.