UE recomenda limites mais baixos de toxinas em fórmulas infantis após recall global

A autoridade de segurança alimentar estabeleceu novos parâmetros para a substância cereulida enquanto a França investiga se o composto tem relação com a morte de dois bebês

Reuters

Fórmula infantil ByHeart. Foto: Divulgação
Fórmula infantil ByHeart. Foto: Divulgação

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PARIS, 2 Fev (Reuters) – O órgão de ‍segurança alimentar da União Europeia afirmou ⁠nesta segunda-feira que o limite para a toxina cereulida, ‍responsável por um recall global de fórmulas infantis, deve ser reduzido em mais da metade, uma medida que ‌provavelmente levará a mais retiradas de produtos do mercado.

A cereulida, uma toxina que pode causar náuseas e vômitos, foi detectada em ingredientes de uma fábrica chinesa que fornece grandes fabricantes de fórmulas infantis, incluindo Nestlé , Danone e Lactalis.

A contaminação ‌provocou recalls de fórmulas infantis em dezenas de países ‌e gerou preocupações entre os pais.

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A Comissão Europeia solicitou à Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA na sigla em inglês) que estabelecesse um limite científico urgente, conhecido como dose de referência aguda, para orientar ‌governos e produtores sobre quando os produtos devem ser retirados das prateleiras.

A França, que antecipou a recomendação ​da EFSA no fim de semana, afirmou que um limite mais restrito provavelmente levaria a recalls preventivos adicionais.

Em sua avaliação, a EFSA propôs um novo limite de 0,014 microgramas por quilograma de peso corporal para bebês, afirmando que bebês muito pequenos processam substâncias de maneira diferente e requerem proteção extra. Ela afirmou que o vômito foi o principal sintoma de curto prazo usado para definir ​o limite.

A EFSA ⁠também estimou a ⁠quantidade de fórmula que os bebês provavelmente bebem em um período de ‌24 horas, permitindo que os cientistas calculassem quando o novo limite seria excedido.

Com base nesses níveis de consumo, a EFSA afirmou que concentrações de cereulida acima ‍de 0,054 microgramas por litro em fórmulas infantis e 0,1 microgramas por litro em fórmulas de ​transição poderiam representar ‌um risco à segurança.

Investigadores franceses estão analisando se há uma ligação entre ‍a morte de dois bebês e produtos de fórmula infantil recolhidos do mercado, informou o ministério da Saúde, acrescentando que não há evidências disso até o momento. Os resultados são esperados para os próximos dias.

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(Reportagem de Sybille de La Hamaide)