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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um apelo nesta quarta-feira aos parlamentares republicanos para que aprovem um pacote nacional de restrições eleitorais, movimento que aprofundou divisões no partido e expôs os limites de seu poder.
Em uma rara visita ao Capitólio, Trump disse a repórteres que teve “uma reunião realmente ótima” com senadores republicanos durante o almoço, horas depois de deixar muitos deles perplexos ao cancelar abruptamente seu plano de sancionar um projeto de lei bipartidário sobre moradia acessível, numa tentativa de pressioná-los a aprovar a Lei “SAVE America”, sua principal prioridade legislativa.
A proposta exigiria documento de identidade com foto para votar em eleições federais e comprovante de cidadania americana para o registro eleitoral, além de obrigar os Estados a entregar suas listas de eleitores ao governo federal.

Trump vai ao Capitólio para tentar apaziguar senadores republicanos frustrados
O presidente americano cancelou uma coletiva de imprensa e exigiu a aprovação do Save America Act, enquanto enfrenta a crescente frustração de parlamentares republicanos com sua agenda

Trump critica o Senado dos EUA por resolução que limita atuação militar no Irã
O presidente americano criticou a votação na rede Truth Social, chamando a medida de sem sentido e afirmando que a decisão dos senadores apenas dificulta o seu trabalho
“A coletiva de imprensa e a cerimônia de assinatura sobre habitação de hoje estão canceladas até que aprovemos a tão necessária Lei SAVE America, que considero uma emergência nacional”, escreveu Trump em uma postagem nas redes sociais, pouco antes do almoço com os parlamentares.
Alguns congressistas indicaram que o cancelamento da cerimônia de assinatura do projeto de habitação pode ser, em grande parte, um gesto simbólico — embora exasperante —, já que os republicanos tentavam convencer os eleitores, antes das eleições de meio de mandato de novembro, de que o partido está focado em conter a disparada do custo de vida.
O projeto sobre moradia pode virar lei de qualquer forma, mesmo que o presidente não o assine em até 10 dias.
A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts e uma das negociadoras do projeto de habitação com os republicanos, observou que o texto foi aprovado nas duas Casas do Congresso com ampla maioria bipartidária, em um momento em que os eleitores estão preocupados com o custo de vida.
“Mas, na última hora, Donald Trump se recusa a sancioná-lo”, escreveu Warren nas redes sociais, depois de Trump atacá-la com um insulto racial em sua mensagem de cancelamento. “As políticas dele elevaram seus custos — e ele não se importa.”
Trump tem repetidamente minimizado as preocupações com o alto custo de vida. No início deste mês, disse a repórteres na Casa Branca que “adora a inflação” ao ser questionado sobre a alta nos preços da gasolina causada pela guerra com o Irã.
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Os preços da gasolina têm recuado em todo os EUA desde que Washington e Teerã chegaram a um cessar-fogo, mas seguem substancialmente acima do patamar anterior à guerra.
“Inexplicável”
Questionado se as ações de Trump estão se tornando destrutivas para ele próprio e para o Partido Republicano, que tenta manter o controle do Congresso, o senador John Cornyn, do Texas, disse a repórteres antes do almoço: “Essas são perguntas que vocês precisam fazer a ele. Para mim, são meio inexplicáveis. Não sei se há algum precedente para isso.”
Ao se dirigir para o almoço, Trump foi questionado por um repórter se sua proposta eleitoral era mais importante do que enfrentar a crise habitacional. Ele se recusou a responder e preferiu comentar as primárias de terça-feira em Nova York.
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A pressão de Trump para aprovar um projeto sobre identificação de eleitores pode não ser suficiente. Embora os republicanos controlem 53 das 100 cadeiras do Senado, não têm os 60 votos necessários para superar a obstrução parlamentar na maioria dos projetos de lei — o que ajuda a explicar as cinco votações fracassadas sobre a medida ou partes dela desde meados de março.
Os republicanos afirmam que também não têm votos suficientes para atender às repetidas exigências de Trump de acabar com a obstrução parlamentar.
“Essas são apenas realidades difíceis. E acho que, em algum momento, as pessoas precisam aceitar isso”, disse o líder da maioria no Senado, John Thune, da Dakota do Sul, antes da visita de Trump.
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Os republicanos do Senado também rejeitaram o apelo de Trump por outras táticas agressivas, como anexar a Lei “SAVE America” a projetos que precisam ser aprovados ou demitir uma autoridade do Senado que bloqueou sua inclusão em um pacote recente de gastos.
Ainda assim, defensores do projeto afirmam que não devem abandonar os esforços para aprovar uma das principais prioridades de Trump.
“Para todo projeto de lei aqui, quando ele começa, não há votos suficientes”, disse o senador republicano Rick Scott, da Flórida, apoiador da proposta e responsável por convidar Trump para a reunião desta quarta-feira.
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