Trump recua após alerta sobre espaço aéreo da Venezuela e nega ataque iminente

Presidente diz que declaração foi mal interpretada enquanto Maduro acusa Washington de tentar tomar reservas de petróleo

Marina Verenicz

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais moderado neste domingo (30) ao falar sobre a tensão crescente com a Venezuela. Após afirmar no dia anterior que o espaço aéreo venezuelano deveria ser tratado como totalmente fechado, o presidente indicou que não há operação militar aérea em preparação.

A declaração foi dada a jornalistas a bordo do Air Force One, no retorno a Washington. Ao ser questionado sobre uma possível ofensiva, Trump disse que não se deveria tirar conclusões precipitadas de sua mensagem nas redes sociais.

No sábado (29), o presidente havia publicado no Truth Social um aviso dirigido a companhias aéreas, pilotos e grupos criminosos para que considerassem o espaço aéreo “totalmente fechado” sobre e ao redor da Venezuela.

O tom duro provocou especulações sobre um ataque iminente, especialmente diante do aumento da presença militar americana no Caribe nas últimas semanas.

Neste domingo, Trump justificou a frase afirmando que a Venezuela é vista como um país hostil, citando a entrada de imigrantes no território americano. Segundo ele, muitos dos venezuelanos que chegaram ao país teriam antecedentes criminais, argumento que o governo tem repetido para sustentar medidas mais rígidas na fronteira.

O presidente também confirmou que conversou por telefone com Nicolás Maduro recentemente, mas se recusou a detalhar o teor do diálogo. A imprensa americana já havia noticiado o contato, que teria ocorrido no início do mês.

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Enquanto Trump minimizava um eventual ataque, o governo venezuelano reforçava a narrativa de que os Estados Unidos estariam preparando uma ação militar para controlar as reservas de petróleo do país.

A acusação foi feita em uma carta de Nicolás Maduro enviada ao secretário-geral da Opep e aos países da Opep e da Opep+, divulgada publicamente pela vice-presidente Delcy Rodríguez.

No documento, Maduro afirma que Washington estaria usando a operação antidrogas no Caribe como pretexto para avançar militarmente sobre o país. Também diz que a mobilização americana, que envolve navios de guerra, caças e o maior porta-aviões do mundo, colocaria em risco o equilíbrio do mercado global de energia.

A carta menciona ainda que ações semelhantes dos Estados Unidos em outros países petroleiros tiveram impactos duradouros na estabilidade internacional.

A escalada retórica ocorre em um momento de forte tensão entre Caracas e Washington, agravada pela projeção militar americana na região e pelas acusações mútuas de ameaça à segurança.