Trump poupa setor aéreo de novas tarifas após investigação sobre importações

Relatório cita dependência de cadeias estrangeiras e risco com peças importadas, mas Casa Branca evita medida imediata

Reuters

Um voo da Delta Airlines decola do Aeroporto Internacional de Logan, em Boston
7 de novembro de 2025
REUTERS/Brian Snyder
Um voo da Delta Airlines decola do Aeroporto Internacional de Logan, em Boston 7 de novembro de 2025 REUTERS/Brian Snyder

Publicidade

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira que concluiu a investigação sobre aeronaves comerciais, motores a jato e peças importadas e concluiu que os produtos estrangeiros levantam preocupações de segurança nacional. Apesar disso, o governo Donald Trump não pretende impor novas tarifas ao setor.

Sob forte pressão da indústria de aviação dos EUA, o governo concordou em isentar aeronaves e peças de tarifas como parte de acordos comerciais, depois de ter aplicado sobretaxas ao setor por um curto período no ano passado.

O relatório, resultado de uma investigação aberta em 2025, afirma que a indústria aeronáutica americana “depende excessivamente de cadeias de suprimentos estrangeiras, o que suscita preocupações com a segurança nacional”. O documento também cita riscos ligados a peças importadas por causa de problemas de controle de qualidade e falsificação.

Ainda assim, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, recomendou que não fossem impostas tarifas de forma imediata, segundo informou a Casa Branca.

Trump orientou a continuidade das negociações com parceiros comerciais para tratar do impacto das importações sobre a saúde da indústria aeroespacial comercial americana e afirmou que poderá adotar medidas caso não haja acordos dentro de seis meses.

“A pressão competitiva de fornecedores estrangeiros de baixo custo também força empresas dos Estados Unidos a manter salários estagnados ou limitar contratações, tornando os empregos na fabricação de aeronaves menos atraentes em comparação com outros setores”, diz o relatório.

Continua depois da publicidade

Aeronaves e peças vinham se beneficiando de um regime de isenção tarifária previsto no Acordo de Aeronaves Civis de 1979, em um setor no qual os Estados Unidos registram superávit comercial anual de US$ 75 bilhões.

Trump transformou as vendas de aeronaves da Boeing em um componente central de seus acordos comerciais e com frequência destacava o número de aviões cuja venda, segundo ele, ajudou a viabilizar para países estrangeiros.

No ano passado, a Delta Air Lines e os principais grupos do setor alertaram para o impacto das tarifas sobre aeronaves nos preços das passagens, na segurança da aviação e nas cadeias de abastecimento.

Continua depois da publicidade

A Airbus Americas também afirmou, na ocasião, que tarifas colocariam em risco a fabricação de aeronaves nos Estados Unidos.