Trump pode cantar vitória? EUA arrecadam US$ 50 bi com tarifas mais altas desde 1930

Com apenas Canadá e China batendo de frente com EUA até agora, Tesouro americano sai ganhando em meio à nova onda protecionista

Marina Verenicz

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Donald Trump elevou tarifas, intimidou rivais e, até agora, saiu ganhando. Segundo levantamento do Financial Times, enquanto parceiros comerciais dos Estados Unidos têm falhado em responder com força à nova ofensiva tarifária do presidente americano, Trump arrecadou quase US$ 50 bilhões em receitas alfandegárias extras.

Quatro meses após a reedição da guerra comercial, apenas China e Canadá impuseram retaliações formais às sanções dos EUA. Mesmo assim, essas ações foram pontuais e limitadas, enquanto as tarifas americanas já atingiram o maior nível desde a década de 1930.

Dados do Tesouro americano mostram que as tarifas impulsionaram a arrecadação dos EUA para um recorde de US$ 64 bilhões no segundo trimestre de 2025, um salto de US$ 47 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior. A maior parte dessa receita vem de países que, apesar das críticas, ainda não implementaram contra-medidas significativas.

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A União Europeia, por exemplo, adiou repetidamente sua resposta à ofensiva de Trump. Na semana passada, publicou uma lista de possíveis alvos tarifários sobre € 72 bilhões em produtos — entre eles aeronaves da Boeing, whisky e carros —, mas optou por não definir taxas específicas. A estratégia parece orientada a manter aberto o canal de negociação até 1º de agosto, prazo final dado por Washington.

Segundo diplomatas europeus ouvidos pelo FT, há temor de que uma retaliação ativa possa prejudicar a cooperação em outras frentes, como o apoio à Ucrânia ou as garantias de segurança da OTAN.

China, Canadá e o efeito dominó

A China impôs tarifas elevadas — chegando a 145% em abril —, mas as consequências foram sentidas em ambos os lados: as exportações chinesas para os EUA despencaram um terço em maio, levando Pequim a negociar uma trégua de 90 dias. Já o Canadá, após impor C$ 155 bilhões em tarifas, cedeu às pressões americanas e recuou em medidas como o imposto digital e o aumento sobre aço e autopeças.

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Para analistas ouvidos pelo FT, governos evitam confronto com Washington por receio de desencadear uma espiral protecionista global. Segundo modelagem da Capital Economics citada pelo jornal britânico, uma guerra comercial em larga escala poderia reduzir o PIB global em até 1,3% em dois anos.