Trump falta a mais um debate republicano, mas continua como personagem principal

O ex-governador de Nova Jersey, Chris Christie, foi o único a criticar abertamente o ex-presidente, a quem chamou de "valentão"

Roberto de Lira

(Joaquin Corbalan/Getty Images)

Publicidade

Como já havia acontecido nas três ocasiões anteriores, Donald Trump não compareceu ao quarto debate entre os republicanos presidenciáveis, realizado na noite de quarta-feira (6) no Alabama. Mesmo assim, foi o personagem mais importante, com seus adversários tendo de discutir sobre suas ações passadas e presentes e tentando mostrar o que fariam de diferente do ex-presidente, caso ganhassem a indicação do partido.

Essa pode ter sido a última oportunidade para os pleiteantes republicanos à Casa Branca realizarem um debate público antes do “caucus” de Iowa, em 15 de janeiro, e das primárias de New Hampshire, no dia 23, que vão inaugurar oficialmente a campanha presidencial de 2024.

O tom do debate foi dado logo em seu início pelo ex-governador de Nova Jersey, Chris Christie, que se propôs a ser o único a criticar diretamente Trump no encontro – o que lhe valeu uma dose de vaias em algumas ocasiões.

Continua depois da publicidade

“Estou olhando meu relógio agora. Estamos há 17 minutos neste debate e, exceto pelo pequeno discurso no início, tivemos esses três agindo como se a corrida fosse entre nós quatro. O quinto cara que não tem coragem de aparecer e ficar aqui, é aquele que você acabou de dizer, que está muito à frente nas pesquisas”, enfatizou ele, encarando seus rivais republicanos: o governador da Flórida, Ron DeSantis; a ex-governadora da Carolina do Sul e ex-embaixadora dos EUA na ONU Nikki Haley;  e o empresário de biotecnologia Vivek Ramaswamy. O senador Tim Scott e o ex-presidente Mike Pence já desistiram da disputa e não compareceram.

Christie disse ainda que Ramaswamy, Haley e DeSantis têm tratado Trump como o vilão da saga de livros e cinema Harry Potter, ou seja, como o Lorde Voldemort, cujo nome não deve ser pronunciado. O ex-governador de Nova Jersey sugeriu que eles tinham medo de enfrentar Trump, a quem chamou de valentão (“bully”).

“Estou nesta corrida porque a verdade precisa ser dita. Esse é um cara que disse na semana passada que quer usar o Departamento de Justiça para perseguir seus inimigos quando chegar lá. O fato é que ele não está apto para ser presidente. Não há problema maior nesta corrida do que Donald Trump e esses números (das pesquisas) provam isso”, disse Christie.

Além dos ataques de Christie, Trump foi ocasionalmente citado e criticado indiretamente por De Santis, quando o governador lembrou que o México não pagou – como o ex-presidente prometeu – pela construção de um muro na fronteira com os EUA.

Haley também lembrou dele quando comentou que Trump foi bom no comércio, mas mau em tudo o resto relacionado com a China. Ramaswamy, por sua vez, endossou uma narrativa de Trump sobre a invasão do Capitólio, alegando que os tumultos foram um “trabalho interno”.

Numa resposta sobre se Trump ainda estaria apto a governar, DeSantis citou sua idade, observando que ele só poderia servir por quatro anos, já que ao assumir novamente o cargo, seria mais velho do que Joe Biden era quando foi eleito. “Precisamos de alguém que seja mais jovem.”

Política externa

Quando o assunto não era Trump, alguns candidatos tentaram se mostrar ainda mais radicais em assuntos externos do que o ex-presidente. Quando questionado sobre como defender até onde iria para defender Taiwan, Ramaswamy disse que achava que os taiwaneses precisavam de uma segunda emenda – dispositivo da Constituição americana que dá às pessoas o direito de manter e portar armas. “Funcionou na América, por que não funcionaria em Taiwan?”, perguntou.

Já Christie disse que chegaria ao ponto de enviar tropas americanas para defender Taiwan caso houvesse uma invasão pela China. Ele também disse que é a favor de enviar tropas para Gaza, com o objetivo de recuperar reféns americanos em posse do Hamas.

Os especialistas americanos têm tratado os debates entre os republicanos como uma disputa pelo segundo lugar, uma vez que o favoritismo de Trump nas primárias é inegável. Uma pesquisa do Trafalgar Group no início do mês deu um favoritismo de 45% para Trump contra 22% para De Santis no “caucus” de Iowa.

Na corrida presidencial, há uma situação de empate técnico entre Trump e o presidente Joe Biden, candidato à reeleição pelo Partido Democrata: a Morning Consult mostrou 43% das preferências para ambos os candidatos e a pesquisa Yougov, da The Economist, mostrou Biden com 42%, ante 41% de Trump. Outros levantamentos feitos em novembro, no entanto, mostraram Trump à frente, com vantagem que varia de 2 a 8 pontos percentuais.