Trump embarcou em voo secreto por meio de caminhão devido à ameaça do Irã

Reportagem afirma que presidente saiu da Turquia após ameaça de assassinato

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em 16 de julho de 2026, em Washington, D.C. Trump deve discursar sobre segurança eleitoral. (Foto: Saul Loeb/Pool – Getty Images) Via Bloomberg

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WASHINGTON, 11 Ago (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcou ⁠em um voo militar secreto da Turquia no mês passado, em uma operação ⁠que envolveu sua transferência de uma aeronave para outra dentro de um caminhão de catering — um ardil ‌extraordinário motivado por uma ameaça de assassinato por parte do Irã, segundo reportagem do Washington Post.

A Casa Branca informou na época que o presidente estava voando a bordo do avião presidencial Força Aérea Um da Turquia, onde havia participado de ‌uma cúpula da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), com destino ao Reino Unido.

Mas, momentos depois de Trump ter embarcado no avião, ele saiu dele secretamente por meio do caminhão de catering, que leva alimentos e bebidas à aeronave, e embarcou em outra aeronave para o voo com destino ao Reino Unido, informou o Post na segunda-feira, citando fontes anônimas.

O New York Times publicou uma reportagem semelhante, citando autoridades norte-americanas que não quiseram se identificar.

Trump havia viajado para Ancara a ⁠bordo ‌de um jato recém-reformado, doado pelo Catar, para a cúpula da Otan, mas anunciou inesperadamente que usaria um Força Aérea ⁠Um mais antigo ao deixar o país — uma decisão que gerou dúvidas sobre a segurança da aeronave mais nova.

A viagem à cúpula da Otan foi a primeira viagem internacional da nova aeronave, cujas rápidas atualizações suscitaram dúvidas sobre seu custo e segurança, e ocorreu em meio à escalada das hostilidades com o Irã, país que faz fronteira com a Turquia.

Antes de partir de Ancara, Trump disse no Truth Social que usaria um Força Aérea Um ​mais antigo, na cor azul-claro, “pelos velhos tempos” para a base da Real Força Aérea britânica em Mildenhall, no Reino Unido, enquanto o novo avião fazia escala na mesma base para que os militares norte-americanos estacionados lá pudessem visitar ​a aeronave.

Depois que Trump embarcou no antigo Força Aérea Um diante das câmeras em Ancara, ele foi secretamente transportado pelo caminhão de catering do aeroporto para um avião menor, um C-32A da Força Aérea, informou o Post, citando uma autoridade norte-americana familiarizada com a operação e material corroborante que analisou.

Mudança secreta

A operação de despiste foi desencadeada por uma ameaça crível a Trump, informou o Post. Uma operação semelhante havia ocorrido em 2000, quando o então presidente dos EUA, Bill ‌Clinton, usou um jato executivo sem identificação para voar até o Paquistão, enquanto enviava ​seu Força Aérea Um oficial como isca.

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Nessa ocasião, os jornalistas que pensavam estar viajando com Trump no Força Aérea Um mais antigo — que foi efetivamente usado como isca — relataram ter sido orientados a manter fechadas as persianas da cabine de imprensa. O Post informou que, além dos repórteres, ⁠alguns funcionários da Casa Branca também acreditavam que ​o presidente estava a bordo.

Quando questionado ​posteriormente pelos repórteres sobre por que tiveram que manter as persianas fechadas durante o voo, Trump disse que era porque estavam “provavelmente em um voo perigoso”. ⁠Ele continuou: “Mas se eu for, vocês vão. Certo?”

O C-32A que transportava ​Trump voou para o Reino Unido e chegou por volta das 22h20, com o Força Aérea Um mais antigo e a imprensa chegando minutos depois, informou o Post. Não ficou claro, segundo o jornal, como Trump foi transferido do C-32A de volta para o avião ​presidencial.

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A equipe de imprensa que acompanhava Trump informou que ele desceu as escadas do avião às 22h56.

Ele fez o sinal de paz para a imprensa, mas não se aproximou para falar com eles. Em ​seguida, passou algum tempo cumprimentando militares antes ⁠de caminhar até o novo avião, doado pelo Catar.

Quando solicitado a comentar sobre a revelação de um voo secreto em um terceiro avião, a Casa Branca ⁠divulgou uma declaração do diretor de comunicações, Steve Cheung, afirmando que o jato doado pelo Catar foi equipado com protocolos de segurança de alto nível que garantem a segurança do presidente e de sua equipe.

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“Como o presidente disse recentemente, há muitos inimigos dos Estados Unidos que têm ele na mira, e usamos todas as ferramentas à nossa disposição para lidar com essas ameaças”, disse Cheung. Foi a mesma declaração fornecida ao Washington Post.

O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.