Trump aventa operação na Colômbia e volta a ligar Petro ao narcotráfico sem provas

Declarações elevam atrito com Bogotá, incluem críticas a Cuba e retomam defesa da incorporação da Groenlândia aos EUA; Bogotá classificou as ameaças como uma “ingerência inaceitável” e pediu respeito

Paulo Barros

Donald Trump e Gustavo Petro (Foto: REUTERS/Nathan Howard e Marckinson Pierre)
Donald Trump e Gustavo Petro (Foto: REUTERS/Nathan Howard e Marckinson Pierre)

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Após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela que resultou na captura de Nicolás Maduro, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou realizar uma ação semelhante contra a Colômbia e intensificou ataques verbais ao presidente colombiano, Gustavo Petro.

Questionado por jornalistas no domingo (4) sobre a possibilidade de uma operação militar americana em território colombiano, Trump respondeu: “Parece bom para mim”. O republicano afirmou ainda que a Colômbia “está muito doente” e acusou Petro de envolvimento com o narcotráfico, sem apresentar provas.

“A Colômbia também está muito doente, governada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump.

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As declarações ocorreram após a ofensiva americana em Caracas que levou à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Petro classificou a ação dos EUA como um “sequestro”, alegando não haver base legal para uma intervenção contra a soberania da Venezuela.

Ainda no domingo, Petro reagiu às acusações em publicação na rede X. “Meu nome não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”, escreveu. A chancelaria da Colômbia classificou as ameaças do presidente americano como uma “ingerência inaceitável” e pediu respeito.

Trump também comentou a situação de Cuba, aliada de Caracas, afirmando que o país “está pronto para cair” e minimizando a necessidade de uma ação militar direta. Segundo ele, Havana teria dificuldade para resistir sem o petróleo venezuelano subsidiado. O governo cubano informou no domingo que 32 cubanos morreram em combate durante a operação dos EUA na Venezuela.

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No sábado, o presidente americano já havia indicado que Cuba poderia voltar ao centro da política externa dos EUA. A sinalização foi reforçada por declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, que afirmou que integrantes do governo cubano deveriam estar preocupados com o cenário atual.

Trump reiterou ainda, no domingo, a defesa de que a Groenlândia passe a integrar os Estados Unidos, alegando razões de segurança nacional. A declaração ocorreu após pedidos do governo da Dinamarca para que Washington respeite a integridade territorial da ilha.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)