Trump avalia ataque ao Irã, e Hezbollah faz alerta de ‘erupção vulcânica na região’

Após fracasso de contatos diplomáticos, Washington reforça presença militar e Irã promete reação “imediata e poderosa”

Equipe InfoMoney

Pessoas caminham em frente a um outdoor anti-EUA em Teerã, Irã, em 26 de janeiro de 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS
Pessoas caminham em frente a um outdoor anti-EUA em Teerã, Irã, em 26 de janeiro de 2026. Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS

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O Irã afirmou que responderá de forma “imediata e poderosa” a qualquer ataque dos Estados Unidos, em meio à escalada de tensões após o fracasso de contatos preliminares entre Washington e Teerã sobre limites ao programa nuclear e de mísseis iraniano. Segundo informações da CNN, com base em fontes familiarizadas com as discussões, Donald Trump está seriamente considerando iniciar um ataque.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou que as Forças Armadas do país estão “com o dedo no gatilho” para reagir a qualquer agressão ao território, ao espaço aéreo ou às águas do Irã. Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, a fala foi uma resposta direta às ameaças recentes do presidente americano Donald Trump.

Enquanto isso, um alto funcionário do Hezbollah libanês alertou os EUA de que um ataque ao Irã poderia “desencadear uma erupção vulcânica na região”, de acordo com a emissora estatal iraniana Press TV.

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A retórica foi reforçada por Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo Ali Khamenei, que afirmou na rede X que qualquer ação militar dos EUA seria considerada o início de uma guerra e prometeu uma resposta “sem precedentes”, mencionando Tel Aviv como possível alvo. As declarações também foram reportadas pela CNN.

A escalada ocorre em um contexto de instabilidade interna no Irã. Um grupo de direitos humanos afirmou ter verificado ao menos 6 mil mortes durante protestos recentes e a repressão do regime, além de investigar outras 17 mil mortes, segundo informações divulgadas por veículos internacionais.

As tensões já impactam os mercados. Os preços do petróleo subiram na quarta-feira e seguiram em alta nesta quinta, com o Brent ultrapassando US$ 70 o barril, diante do receio de interrupções no fornecimento global caso haja um conflito envolvendo o Irã, importante produtor da commodity. Já o ouro ultrapassou os US$ 5.500 por onça.

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EUA enviam armada para o Irã

Em publicação na rede Truth Social na quarta-feira (28), Trump exigiu que o Irã volte à mesa para negociar um acordo “justo e equitativo” e reiterou que o país não pode ter armas nucleares. O presidente afirmou ainda que um próximo ataque seria mais severo do que o realizado no verão passado, quando forças americanas atingiram três instalações nucleares iranianas, conforme relatado pela CNN.

Segundo a emissora, entre as opções em análise pela Casa Branca estão ataques aéreos contra instalações nucleares iranianas, instituições do governo e autoridades de segurança ligadas à repressão de protestos recentes. Trump ainda não tomou uma decisão final, mas fontes indicam que ele considera ter mais opções militares após o deslocamento de um grupo de ataque de porta-aviões para a região.

O grupo liderado pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln entrou no Oceano Índico e se aproxima do Irã, com capacidade de apoiar eventuais operações e proteger aliados regionais. Os EUA também deslocaram sistemas de defesa aérea, como baterias Patriot, e planejam enviar sistemas THAAD. Além disso, a Força Aérea dos EUA iniciou um exercício aéreo de vários dias no Oriente Médio.

Por que EUA e Irã voltaram às ameaças?

Do lado americano, Trump avalia a possibilidade de um novo ataque de grande escala contra o Irã após a falta de avanços nas conversas indiretas, que incluíram mensagens trocadas por meio de diplomatas de Omã. Houve discussão inicial sobre uma reunião presencial entre autoridades dos dois países, mas ela não se concretizou, segundo fontes ouvidas pela CNN.

O impasse diplomático envolve exigências americanas como o fim permanente do enriquecimento de urânio, novas restrições ao programa de mísseis balísticos e o encerramento do apoio iraniano a grupos aliados na região. O principal ponto de atrito é a exigência de limites ao alcance dos mísseis, rejeitada por Teerã, que aceita discutir apenas o tema nuclear.

Aliados dos EUA na região demonstraram cautela. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos descartaram o uso de seu espaço aéreo ou território para uma eventual operação americana contra o Irã, segundo pessoas a par das conversas, citadas pela CNN. Em entrevista ao Politico, Trump afirmou que é “hora de buscar uma nova liderança no Irã”, enquanto autoridades americanas reconhecem que o cenário permanece incerto e sem sinais de desescalada no curto prazo.