Trump diz que espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado fechado

A postagem vem em meio à crescente presença militar dos EUA no Caribe e no Pacífico

Marina Verenicz

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, em postagem em rede social, na manhã deste sábado, que o espaço aéreo da Venezuela está fechado.

“A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas, por favor, considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela como totalmente fechado”, disse Trump.

A mensagem foi publicada em seu perfil no X e dirigida a companhias aéreas, pilotos e grupos envolvidos em tráfico de drogas e pessoas.

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O alerta ocorre em meio à escalada militar promovida por Washington no Caribe desde agosto, dentro da operação que a Casa Branca classifica como um esforço para desmantelar cartéis latino-americanos.

A frase de Trump coincide com o aumento das demonstrações de força das Forças Armadas norte-americanas na região. Desde que o governo autorizou ataques contra embarcações suspeitas de tráfico, o Departamento de Defesa multiplicou a divulgação de imagens e vídeos de exercícios militares no Caribe.

O volume de publicações quadruplicou entre agosto e novembro, com registros de pousos anfíbios, treinos de tiro em selva, bombardeios no mar e exercícios com jatos F-35.

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A presença militar enviada à região inclui o porta-aviões USS Gerald R. Ford, destróieres, navios anfíbios, helicópteros, aeronaves de reconhecimento e ao menos um submarino nuclear.

Segundo estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, cerca de 13 mil militares norte-americanos estão mobilizados ao redor da Venezuela. O Pentágono sustenta que as operações miram embarcações usadas por cartéis e negou irregularidades.

A pressão aumentou ainda mais após revelações sobre a primeira ofensiva dos EUA contra um barco suspeito no Caribe. Reportagem do Washington Post apontou que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, teria orientado a equipe de operações especiais a não deixar sobreviventes durante o ataque de setembro.

As informações provocaram questionamentos de parlamentares democratas, que mencionaram possíveis violações de direito internacional. O Pentágono classificou a reportagem como “completamente falsa”.

Trump mantém o discurso de que os EUA enfrentam um “conflito armado” contra cartéis e afirma que cada embarcação interceptada contém drogas suficientes para matar milhares de norte-americanos.

Em sua mensagem de Ação de Graças a tropas no exterior, o presidente disse que o contrabando marítimo teria caído 85 por cento e afirmou que as ações por terra devem começar “muito em breve”, sem detalhar se operações militares ocorreriam dentro do território venezuelano.

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Na semana passada, o órgão regulador da aviação dos EUA alertou as principais companhias aéreas sobre uma “situação potencialmente perigosa” ao sobrevoar a Venezuela devido a uma “situação de segurança cada vez pior e ao aumento da atividade militar no país ou em seus arredores”.

A Venezuela revogou os direitos de operação de seis grandes companhias aéreas internacionais que haviam suspendido os voos para o país após o aviso da Administração Federal de Aviação dos EUA.

A escalada militar já despertou reações do governo de Nicolás Maduro, que acusa os EUA de buscar um pretexto para justificar uma intervenção. Washington, por sua vez, tem alternado pressão militar e tentativas de negociação.

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Reportagens recentes indicam que Maduro procurou os americanos com propostas que envolvem exploração de recursos e até uma possível saída negociada, mas Trump teria rejeitado as ofertas.