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Donald Trump afirmou nesta sexta-feira, 20, que está avaliando a possibilidade de um ataque militar limitado ao Irã, caso não seja alcançado um acordo sobre o programa nuclear do país. Com o aumento da tensão, o exército israelense disse ter entrado em “alerta defensivo” para a eventualidade de uma guerra.

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A declaração de Trump foi dada em resposta a uma pergunta de um repórter, que questionou se ele estaria considerando um ataque limitado caso o Irã não aceite um acordo. “O máximo que posso dizer é que estou considerando isso.”
A decisão de atacar traz o risco de deflagrar um conflito possivelmente mais longo, mais mortífero e muito mais perigoso do que a guerra de 12 dias travada no ano passado, quando aviões americanos bombardearam três instalações nucleares iranianas. Na época, Trump disse ter destruído completamente os locais – a necessidade de atacar de novo mostra que não era verdade.
Opções
Trump foi eleito com a promessa de não colocar os EUA em guerras que ele classificou na campanha de “sem sentido”. Por isso, a preferência é por ataques cirúrgicos, como a operação que capturou o ditador venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro – rápida, barata e com o mínimo de baixas possível.
Os ataques às instalações nucleares, no ano passado, foram um exemplo de operação de custo político baixo. O Irã respondeu, atacando uma base americana no Catar, sem deixar mortos ou feridos. A retaliação foi uma clara encenação, já que os EUA haviam sido avisados e retiraram seus militares. Trump até agradeceu ao Irã pelo alerta.
Agora, é diferente. A falta de um objetivo claro, segundo especialistas, pode ser perigosa, pois poderia levar o governo iraniano a enxergar uma ofensiva liderada pelos EUA como uma ameaça existencial – e responder de forma muito mais violenta.
Em carta enviada à ONU na quinta-feira, 19, o chefe da missão do Irã afirmou que “todas as bases, instalações e ativos” dos americanos na região seriam alvos legítimos, caso o país fosse atacado. “Os EUA serão totalmente responsáveis por quaisquer consequências imprevisíveis e incontroláveis”, diz a mensagem.
Israel em alerta
Isso poderia colocar em risco os 40 mil soldados americanos estacionados em 13 bases militares no Oriente Médio, mas também afetar Israel. É por isso que o exército israelense disse ontem estar com o “dedo no gatilho”, para reagir em caso de guerra.
“Estamos acompanhando de perto os desdobramentos regionais e cientes do discurso a respeito do Irã. As forças armadas de Israel estão em alerta defensivo”, afirmou o porta-voz do exército, o general Effie Defrin.
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Enquanto aumenta sua presença militar na região, os EUA negociam com os iranianos um acordo diplomático para evitar um conflito. Os dois países concluíram a segunda rodada de diálogo na Suíça, na terça-feira – mas sem nenhum avanço aparente.
Trump exige que o Irã desmantele seu programa nuclear, interrompa o enriquecimento de urânio e cesse o apoio a grupos aliados na região – Hezbollah, no Líbano; os houthis, no Iêmen; Hamas, em Gaza, e milícias xiitas no Iraque. Até agora o regime respondeu com exercícios militares no Estreito de Ormuz e ameaças de afundar os porta-aviões americanos no Golfo Pérsico. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)