Trump ameaça barrar inauguração de ponte com o Canadá por aproximação com China

Presidente dos EUA diz que só liberará a Ponte Internacional Gordie Howe quando o Canadá “compensar integralmente” Washington e acusa o vizinho de tratar o país de forma “injusta há décadas”

A Ponte Internacional Gordie Howe, que liga Ontário, no Canadá, ao Michigan, nos EUA. Foto: REUTERS/Rebecca Cook
A Ponte Internacional Gordie Howe, que liga Ontário, no Canadá, ao Michigan, nos EUA. Foto: REUTERS/Rebecca Cook

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impedir a inauguração da ponte que está sendo construída para conectar o Canadá aos Estados Unidos. Segundo ele, o bloqueio seria mantido até que o Canadá “compense integralmente” os Estados Unidos “por tudo o que lhes concedemos e [até] que o Canadá trate os Estados Unidos com a justiça e o respeito que merecemos”, afirmou Trump.

“O Canadá tem tratado os Estados Unidos de forma muito injusta por décadas”, escreveu o presidente em sua rede social Truth Social na noite desta segunda-feira (9), sem exemplificar o suposto desbalanceamento na relação entre os dois países.

A construção da Ponte Internacional Gordie Howe foi financiada pelo governo canadense, mas pertencerá a ambos os governos, de acordo com o acordo de 2012 que estabeleceu o projeto. Trump, porém, alega que o Canadá se beneficiou de uma isenção que permitiu aos canadenses não serem obrigados a usar produtos americanos na obra.

Nesta terça-feira (10), o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou ter tido uma conversa “positiva” com Trump e disse tê-lo lembrado de que o Canadá arcou com os custos da ponte. Ele também teria destacado ao presidente americano que trabalhadores dos dois países atuaram na construção e que foi utilizado aço proveniente de ambos os lados.

“Este é um ótimo exemplo de cooperação entre nossos países e estou ansioso pela sua inauguração”, disse Carney a jornalistas. A ponte conectará a província canadense de Ontário ao estado americano de Michigan.

Acordo Canadá-China

Por trás da revolta de Trump com a ponte está a aproximação recente entre Canadá e China. Em sua publicação no Truth Social, o presidente escreveu que a China “vai comer o Canadá vivo”. “Vamos ficar só com as sobras! Acho que não”, completou, deixando clara sua insatisfação com as conversas entre os líderes dos dois países.

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Ele também fez alertas sobre o que acredita ser o impacto da influência chinesa, chegando a afirmar que o país asiático poderia até proibir campeonatos de hóquei — esporte mais popular no Canadá —, ainda que não haja qualquer indício concreto nesse sentido.

Em janeiro, Mark Carney se reuniu com o líder chinês Xi Jinping, e os dois firmaram uma parceria estratégica para a comercialização de veículos elétricos chineses no Canadá, prevendo redução de tarifas e autorização para a entrada de um grande volume de carros por ano no país.

Insatisfeito com a aproximação e com a possível influência da China sobre o país vizinho, Trump já ameaçou aplicar tarifas de 100% a produtos canadenses caso Canadá e China assinem um acordo.

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Esta não é a primeira vez que Trump ataca o vizinho do norte. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o presidente dos Estados Unidos tem falado sobre anexar o Canadá e chegou a dizer que transformaria o país no 51º estado americano. O primeiro-ministro canadense rejeitou categoricamente as ameaças e afirmou que o país “não está à venda”.