Trump abre exceção e permite que Hungria compre petróleo russo, em vitória para Orban

Os EUA puniram outros compradores de energia russa, especialmente a Índia, por interromper o que o presidente chamou de esforços para acabar com a invasão de Putin na Ucrânia

Bloomberg

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 7 de novembro de 2025. REUTERS/Jessica Koscielniak
O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, na Casa Branca em Washington, D.C., EUA, 7 de novembro de 2025. REUTERS/Jessica Koscielniak

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O presidente dos EUA, Donald Trump, concedeu à Hungria uma isenção das sanções sobre a compra de petróleo russo, proporcionando uma grande vitória para o primeiro-ministro Viktor Orban.

Orban e um funcionário dos EUA, que pediu anonimato, confirmaram a decisão de Trump após uma reunião entre os dois líderes na sexta-feira, na Casa Branca.

Orban aproveitou seus laços com seu aliado ideológico para obter esse tratamento favorável. A Hungria aumentou sua dependência da energia russa, enquanto a maioria dos membros da União Europeia buscou reduzir drasticamente essas compras após a invasão da Ucrânia por Moscou.

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A Hungria obteve uma “isenção geral e indefinida” para a compra de petróleo e gás natural russos por meio de dois oleodutos principais, disse Orban a repórteres após um almoço bilateral com Trump na sexta-feira. O acordo também trouxe ganhos para Trump, com a Hungria concordando com uma série de investimentos americanos em energia.

Trump puniu outros compradores de energia russa, especialmente a Índia, por interromper o que o presidente chamou de esforços para acabar com a invasão de Putin na Ucrânia. No início deste ano, o presidente impôs uma tarifa de 50% sobre produtos indianos.

A decisão da administração Trump, no mês passado, de impor sanções às maiores empresas petrolíferas da Rússia ameaçou minar a já frágil tentativa de Orban de conquistar um quinto mandato consecutivo nas eleições do próximo ano.

Uma economia estagnada, alegações de corrupção generalizada e uma crise no custo de vida ajudaram a impulsionar um partido de oposição emergente, que lidera por dois dígitos em algumas pesquisas antes das eleições húngaras em abril. A disputa é o maior desafio ao governo ininterrupto de Orban desde 2010.

Trump disse que Orban fez um “trabalho fantástico” e o saudou como um “grande líder”, emitindo um novo endosso para sua reeleição.

O presidente dos EUA também aceitou o argumento de Orban de que a Hungria, sem acesso ao mar, tinha poucas alternativas à energia russa, contrariando seus próprios funcionários, que apontaram para a existência de um oleoduto croata que pode fornecer petróleo bruto do Mar Adriático.

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“Eles não têm mar, não têm portos”, disse Trump antes da reunião com Orban, acrescentando que é “muito difícil” para a Hungria obter energia não russa.

Na verdade, Orban reforçou sua dependência da energia russa devido ao seu preço mais baixo — o que lhe permite manter uma promessa principal de controlar os preços da energia para as famílias húngaras. Aumentar a dependência da energia russa também aproximou Orban do Kremlin, com Budapeste sendo vista como o parceiro mais próximo de Moscou na UE.

No entanto, não está claro se manter o status quo em relação à energia russa será suficiente para a reeleição de Orban. Ele esperava um fluxo de investimentos após o retorno de Trump à Casa Branca, que ainda não se concretizou. Em vez disso, foi Orban quem anunciou os pedidos húngaros na sexta-feira.

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A Hungria assinou um contrato de US$ 100 milhões com a Westinghouse Electric Co. para comprar combustível nuclear para a usina atômica do país, atualmente fornecido pela Rússia. O país também está negociando um contrato de cinco anos para comprar gás natural liquefeito dos EUA, disse o ministro das Relações Exteriores, Peter Szijjarto, na mesma coletiva com Orban.

As partes também estão em negociações para a compra de até 12 pequenos reatores modulares em um acordo que pode valer até US$ 20 bilhões, disse Szijjarto. A Hungria pode comprar menos reatores, acrescentou.

O acordo tem potencial para desestabilizar a expansão da usina nuclear da Hungria liderada pela Rússia, que está atrasada há muito tempo, disse uma pessoa familiarizada com as negociações. A Rosatom, da Rússia, deve iniciar a concretagem dos novos blocos apenas em fevereiro — quase 12 anos após a assinatura do contrato nuclear.

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