“Tirania comunista”: ativista faz protesto contra o PC chinês e filma ação da polícia

Qi Hong, de 43 anos, programou uma projeção contra o governo em Chongqing enquanto fugia para Londres; imagens ficaram expostas por 50 minutos até a chegada da polícia

Roberto de Lira

(Foto: Reprodução das redes sociais)
(Foto: Reprodução das redes sociais)

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Um ativista chinês de 43 anos fez um protesto ao mesmo tempo engenhoso e perigoso contra o Partido Comunista da China e sua política de vigilância extrema sobre a população. Na noite de 29 de agosto, foram projetadas nas paredes de um prédio na Universidade de Chongqing, localizada no sudoeste do país, enormes frases de efeito contra o PCC.

Segundo relatos da Human Rights in China, algumas das frases eram: “Sem o Partido Comunista, haveria uma nova China. A liberdade não é uma esmola, deve ser conquistada. Levantem-se, pessoas que se recusam a ser escravizadas, levantem-se e resistam para reivindicar seus direitos. Abaixo o fascismo vermelho, derrubem a tirania comunista!. Sem mentiras, queremos a verdade; sem escravidão, queremos liberdade; o tirânico Partido Comunista deve renunciar!.”

A projeção ficou ativa por pelo menos 50 minutos antes que cinco policiais finalmente encontrassem o quarto de hotel onde o equipamento de projeção estava localizado e desligassem o dispositivo. Usar uma câmera para capturar a imagem da chegada dos agentes de segurança foi uma espécie de protesto irônico para que o governo se visse na posição de vigiado.

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O homem por trás do protesto é Qi Hong, que disse ter se inspirado em outros ativistas, como Peng Lifa (que em 2022 estendeu faixas similares em na ponte Sitong, em Pequim), o Movimento do Livro Branco (no mesmo ano, contra a política de Covid zero do governo) e Mei Shilin (que pendurou bandeiras políticas em um viaduto de Chengdu).

Qi Hong, no entanto, decidiu fazer um uso criativo da tecnologia e configurou o projetor para ser acionado remotamente e deixou uma câmera de vigilância ligada para capturar imagens da polícia.

Embora Qi e parte de sua família imediata tenham conseguido chegar a Londres antes de ele ativar a projeção, alguns parentes não tiveram tanta sorte. Sua mãe idosa, que mora no campo, foi interrogada e seu irmão levado pela polícia.

Qi compartilhou fotos e vídeos de seu protesto com o conhecido dissidente online “Professor Li”, cuja postagem inicial sobre o assunto alcançou mais de 18 milhões de pessoas.