Suprema Corte dos EUA abre caminho para que Trump desmonte Departamento de Educação

O grupo jurídico Democracy Forward disse que a ação da corte "desferiu um golpe devastador na promessa de educação pública desta nação para todas as crianças"

Reuters

Manifestantes se reúnem em apoio ao Departamento de Educação dos EUA em frente ao seu prédio em Washington
21/03/2025
REUTERS/Kent Nishimura
Manifestantes se reúnem em apoio ao Departamento de Educação dos EUA em frente ao seu prédio em Washington 21/03/2025 REUTERS/Kent Nishimura

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A Suprema Corte dos EUA abriu caminho nesta segunda-feira para que o governo do presidente Donald Trump retome o desmantelamento do Departamento de Educação, parte de sua tentativa de reduzir o papel do governo federal na educação em favor de um maior controle por parte dos Estados.

Na mais recente vitória de Trump na Suprema Corte, os juízes revogaram a ordem de um juiz federal que havia reintegrado cerca de 1.400 trabalhadores afetados por demissões em massa no departamento e impedido o governo de transferir funções importantes para outras agências federais. Uma contestação legal continua em tribunais inferiores.

A ação da Suprema Corte veio em uma ordem breve e não assinada. Suas três juízas progressistas discordaram.

Um grupo de 21 procuradores-gerais democratas, distritos escolares e sindicatos por trás de um par de contestações legais advertiu em documentos judiciais que os esforços de Trump para paralisar as atividades ameaçavam prejudicar a capacidade do departamento de desempenhar suas funções essenciais.

O Democracy Forward, um grupo jurídico progressista que representa os distritos escolares e os sindicatos, disse que a ação da corte “desferiu um golpe devastador na promessa de educação pública desta nação para todas as crianças”.

“Buscaremos agressivamente todas as opções legais à medida que o caso avança para garantir que todas as crianças deste país tenham acesso à educação pública que merecem”, disse Skye Perryman, a presidente do grupo.

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Criado pelo Congresso em 1979, as principais funções do Departamento de Educação incluem a administração de empréstimos universitários, o controle do desempenho dos alunos e a aplicação dos direitos civis nas escolas. Ele também fornece recursos federais para distritos carentes e para ajudar alunos com deficiências.

A lei federal proíbe o departamento de controlar as operações escolares, inclusive currículo, instrução e pessoal. A autoridade sobre essas decisões pertence aos governos estaduais e municipais, que fornecem mais de 85% dos recursos das escolas públicas.

Os críticos republicanos do departamento o retrataram como um símbolo de desperdício burocrático, enfatizando a necessidade de um governo federal menor em favor de maior poder estadual.

Em março, Trump procurou cumprir uma promessa de campanha aos conservadores, pedindo o fechamento do departamento.

“Vamos devolver a educação, de forma muito simples, aos Estados, onde ela pertence”, disse Trump em 20 de março, antes de assinar um decreto para fechar o departamento na “extensão máxima” permitida por lei.

Trump disse que certas “necessidades essenciais” seriam preservadas, inclusive os subsídios Pell para estudantes de famílias de baixa renda e o financiamento federal para estudantes carentes e crianças com necessidades especiais, embora ele tenha dito que essas funções seriam redistribuídas para outros órgãos e departamentos.

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Em março, Trump determinou que o departamento transferisse sua carteira de empréstimos estudantis de US$1,6 trilhão para a Administração de Pequenas Empresas e seus serviços de educação especial para o Departamento de Saúde e Serviços Humanos.

Embora a eliminação formal do departamento exigisse uma lei do Congresso, o enxugamento anunciado em março pela secretária de Educação, Linda McMahon, visava reduzir a equipe do departamento para aproximadamente metade do tamanho que tinha quando Trump assumiu o cargo em janeiro.

McMahon classificou a ação da Suprema Corte nesta segunda-feira como uma “vitória significativa para os alunos e as famílias”.

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“O Departamento de Educação dos EUA agora cumprirá seu mandato de restaurar a excelência na educação norte-americana”, escreveu McMahon em uma postagem na mídia social.

Em sua discordância, a juíza Sonia Sotomayor escreveu que a ação da Suprema Corte havia dado ao presidente “o poder de revogar estatutos, demitindo todos aqueles necessários para cumpri-los”.

“A revogação (do bloqueio do tribunal inferior) desencadeará danos incalculáveis, atrasando ou negando oportunidades educacionais e fazendo com que alunos sofram discriminação, agressão sexual e outras violações de direitos civis sem os recursos federais pretendidos pelo Congresso”, escreveu Sotomayor, que foi acompanhada pelas juízas progressistas Elena Kagan e Ketanji Brown Jackson.