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O Senado dos EUA impôs uma rara repreensão ao presidente Donald Trump em uma votação realizada na quinta-feira (8) para avançar uma legislação que se opõe a novas ações militares na Venezuela, demonstrando uma forte oposição política a uma intervenção estrangeira que ainda não custou a vida de um único militar americano.
Cinco republicanos cruzaram as linhas partidárias para se juntar a todos os democratas na votação processual destinada a conter Trump, depois que senadores de ambos os partidos reclamaram da falta de consulta ao Congresso antes de Trump ordenar que os militares capturassem o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa.

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As preocupações entre os republicanos estão crescendo quanto a uma presença de longo prazo e ao plano de Trump de “administrar” a Venezuela por tempo indefinido. As senadoras republicanas moderadas Susan Collins e Lisa Murkowski, e o senador Todd Young, juntaram-se a Rand Paul e Josh Hawley — membros mais isolacionistas do partido — ao romper com Trump na votação.
O Senado ainda precisa aprovar a resolução antes de enviá-la à Câmara dos Representantes, que dificilmente aprovará a medida. O Senado não votará a resolução até a próxima semana, disse um assessor da liderança republicana.
Senadores democratas também ameaçaram bloquear o financiamento para novos ataques, mas essa legislação é extremamente improvável de superar um veto presidencial e se tornar lei.
A maioria dos republicanos se alinhou a Trump após o ataque relâmpago, incluindo políticos mais belicistas que ocasionalmente entraram em choque com Trump, como Mitch McConnell. Outros republicanos, porém, temem um atoleiro militar.
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“O presidente Trump fez campanha contra guerras intermináveis”, disse Young em um comunicado após a votação. “Uma campanha prolongada na Venezuela envolvendo as Forças Armadas americanas, mesmo que não intencional, seria o oposto do objetivo do presidente Trump de encerrar envolvimentos estrangeiros.”
Collins, que enfrenta uma reeleição difícil no Maine em novembro, também apontou os riscos de prender tropas americanas em um conflito prolongado na Venezuela como razão para seu voto.
“Acredito que invocar a Lei dos Poderes de Guerra neste momento é necessário, dadas as declarações do presidente sobre a possibilidade de ‘botas no chão’ e de um envolvimento sustentado ‘administrando’ a Venezuela, com o que não concordo”, disse Collins em um comunicado divulgado pouco antes da votação.
Membros mais isolacionistas, como Paul, há muito criticam presidentes que se envolvem em ações militares contornando o Congresso e seu poder constitucional de declarar guerra.
Trump afirmou na quinta-feira que vetará a resolução caso ela seja aprovada pelo Congresso.